No auge de uma sociedade que pratica a hipocrisia como se não houvesse amanhã, dizer mal dos outros tornou-se uma prática comum, quase socialmente recomendável. Dizemos mal porque parece que devemos dizer mal. Essa é, tantas vezes, a condição primeira para sermos aceites na comunidade dos maldizentes.
E é precisamente porque desejamos, ardentemente, ser aceites nas comunidades que por aí pululam, sustentadas nas estacas da maledicência, que dizemos mal, gratuitamente, para não ficarmos de fora.
Somos seres gregários, precisamos de viver em comunidade. Mas não devemos desejar essa pertença a qualquer preço. Devemos ser aceites pelo que verdadeiramente somos, sem nos diminuirmos para caber nos padrões que outros definem. Não devemos abdicar dos nossos princípios para conquistar a aprovação alheia, muito menos à custa da dignidade de terceiros.
Acima de tudo, não devemos dizer mal dos outros por mero prazer, conveniência ou necessidade de integração. Devemos aprender a reconhecer o que fazem de bom, a valorizar o que conseguem realizar apesar das circunstâncias e a celebrar as pequenas conquistas que tantas vezes passam despercebidas. Devemos valorizar os gestos solidários feitos em silêncio e, sobretudo, as pessoas pelo que são e representam para aqueles que lhes são próximos.
Só temos uma vida. Temos de a valorizar. A nossa e a dos outros.
A maledicência é uma perda de tempo que empobrece a existência. Diminui em vez de acrescentar, corrói em vez de semear. E, enquanto nos ocupamos a apontar os defeitos alheios, esquecemo-nos tantas vezes de olhar para dentro e de reconhecer as nossas próprias imperfeições.
Uma frase atribuída a Camilo Castelo Branco diz o seguinte: «A maledicência é o flagelo com que o demónio se vinga dos que lhe fogem, e o anzol com que pesca mais almas atoladas no charco da calúnia.»
Na verdade, a maledicência é uma arma predileta de quem procura afirmar-se diminuindo os outros. Há uma diferença substancial entre a crítica que procura corrigir, esclarecer ou melhorar e aquela que apenas pretende humilhar, desacreditar ou destruir.
Sempre que estivermos dispostos a lançar pedras, disfarçadas de palavras, contra alguém, devemos perguntar-nos a quem serve esta atitude tão mesquinha. Que ganhamos com ela? Que acrescentamos à vida dos outros e à nossa? As pedras que lançamos dizem, muitas vezes, mais sobre quem as atira do que sobre quem é atingido.
Salvemo-nos dos charcos da calúnia. Elogiemos quem merece ser elogiado e incentivemos os outros a cultivar um coração mais generoso. Aprendamos a reconhecer o mérito alheio sem receio de que o brilho dos outros diminua a nossa própria luz.
A maledicência não nos conduzirá a nenhum porto seguro. Encaminhar-nos-á sempre, com um sorriso no rosto, para becos sem saída, para lugares esconsos e sombrios.
Salvemo-nos enquanto é tempo. Promovamos o elogio e os afetos. Semeemos bondade e empatia. Porque o mundo não precisa de mais vozes a apontar defeitos, mas de mais pessoas dispostas a reconhecer virtudes.
Saibamos dizer menos mal e fazer mais e melhor.
La empresa Diario de Salamanca S.L, No nos hacemos responsables de ninguna de las informaciones, opiniones y conceptos que se emitan o publiquen, por los columnistas que en su sección de opinión realizan su intervención, así como de la imagen que los mismos envían.
Serán única y exclusivamente responsable el columnista que haga uso de nuestros servicios y enlaces.
La publicación por SALAMANCARTVALDIA de los artículos de opinión no implica la existencia de relación alguna entre nuestra empresa y columnista, como tampoco la aceptación y aprobación por nuestra parte de los contenidos, siendo su el interviniente el único responsable de los mismos.
En este sentido, si tiene conocimiento efectivo de la ilicitud de las opiniones o imágenes utilizadas por alguno de ellos, agradeceremos que nos lo comunique inmediatamente para que procedamos a deshabilitar el enlace de acceso a la misma.