A chegado do outono veio embrulhada na triste notícia da partida de Jorge Palma (músico, cantor, poeta e compositor), uma figura maior da cultura portuguesa, um cidadão do mundo e um mestre das emoções.
O meu caminho de vida (e o de tanta gente) cruzou-se, tantas vezes, com a sua música e com os seus poemas. Foram muitos os momentos em que a sua arte acrescentou magia a um beijo, a um abraço ou a uma partilha comum.
O Jorge Palma partiu mas deixo-nos une imenso património de afectos feito de música e palavras juntas que nos continuarão a encher a alma. Como nos cantou: “Enquanto houver estrada pra andar / A gente vai continuar / Enquanto houver estrada pra andar / Enquanto houver ventos e mar / A gente não vai parar / Enquanto houver ventos e mar.”
Meu caro Jorge Palma “a gente vai continuar” contigo, escutando os teus poemas, as tuas letras, a tua música, para darmos ainda mais sentido à vida, valorizando as pequenas coisas e sobretudo amando os que connosco caminham na estrada que foi feita para andar, aproveitando ventos e mar. Não, não vamos parar de te escutar, de te ouvir, e saborear tudo o que pudermos nessa estrada que foi feita para andar.
Meu caro Jorge Palma, “deixa-me rir” , contigo, nas verdades que espelhaste nas nossas vidas através das tuas magníficas canções: “ Deixa-me rir / Ou então deixa-me entrar em ti / Ser o teu mestre só por um instante / Iluminar o teu refúgio /Aquecer-te essas mãos / Rasgar-te a máscara sufocante / Pois é, pois é / Há quem viva escondido a vida inteira / Domingo sabe de cor / O que vai dizer Segunda-Feira.” O tempo que segue é feito de combates para recuperarmos o que se vai perdendo. Precisamos de rasgar as máscaras para não nos escondermos do que verdadeiramente somos. A estrada em que andamos deve ser espaço para mais solidariedade, para mais amor e fraternidade. A humanidade reclama-nos e convoca-nos para a ação. Vamos em frente. Enquanto houver ventos e mar e estrada para andar, a gente não vai parar. Também por isso invoco a tua belíssima canção “encosta-te a mim” , homenageando-a, modestamente, como título deste pequeno texto: “Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo / O que não vivi, um dia hei de inventar contigo / Sei que não sei, às vezes entender o teu olhar / Mas quero-te bem, encosta-te a mim / Encosta-te a mim / Quero-te bem / Encosta-te a mim.” Encostemo-nos uns aos outros para partilharmos a estrada comum, para tudo o que ainda não vimos, conseguirmos inventar com quem gosta de nós. Até sempre meu caro Jorge Palma. Continuamos juntos enquanto houver ventos e mar e estrada para andar.
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