Quanto temos energia e iniciativa, sobretudo quando estamos naquela idade de querer dominar o mundo, vamos a todas! Queremos estar em todo o lado. Queremos estar e demonstrar capacidade de fazer e, sobretudo, queremos fazer acontecer. Temos vontade e energia. Vamos a todas para exibir essa nossa capacidade. Umas vezes por vaidade e outras por ingenuidade… outras ainda por inocência absoluta! À nossa volta observam-nos. Analisam-nos. Definem o nosso perfil e também a nossa margem de progressão. Percebem, facilmente, que podemos roubar-lhes o lugar em que estão instalados ou a paz que construíram na base da eliminação de adversários ou inimigos não declarados. A observação ao longe, a coberto ou participada faz de nós, sem imaginarmos tal coisa, “alvos em movimento.” Tentam abater-nos ou retirar-nos do caminho. Para eles é absolutamente indiferente desde que não incomodemos. Entretanto, alheios a tudo, continuamos com a nossa demanda, justamente indo a todas com a mesma vontade e energia. Aos poucos e sobretudo à custa das desilusões, traições e tapetes arrancados debaixo dos nossos pés, vamos percebendo que não podemos ir a todas. Mas isso é uma coisa que vem com o tempo, com a sabedoria, com a idade … Porém, isso só acontece porque, por um lado, sabemos aceitar e, por outro, porque nos entregámos por inteiro às causas em que sempre acreditámos. Para termos experiência temos que passar pelas coisas. Para confiarmos em nós temos que nos entregar aos outros. Dos outros recebemos amor, ódio, amizade e inveja, indiferença e presença solidária. No fundo, recebemos aquilo que nos funda no caminho do meio, entre o bem e o mal. Seguimos em frente, sempre, com aprendizagens que ficam para a vida. Com o tempo deixamos de ir a todas. Vamo-nos esquivando de alguns que nos observam porque têm medo de nós mesmo que nós não queiramos meter medo a ninguém. Com o tempo vamos deixando que a sabedoria nos abrace e nos indique os momentos e lugares para gastarmos melhor a nossa energia e disponibilidade. Apesar disso, não devemos deixar de ser o que somos por inteiro, assumindo todas as suas consequências, as boas e as más. A vida é só uma. Gastemo-la com toda energia que soubermos, com o entusiasmo e inocência que cada etapa caminho permitir. Por isso, agora não vou a todas. Vou às que quiser e que o contexto permitir. Como sempre, vou por inteiro porque nunca gostei de metades!
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