Lunes, 24 de enero de 2022
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O sentido da nossa vida

O sentido da nossa vida

OPINIóN
Actualizado 24/10/2021
Miguel Nascimento

O sentido da nossa vida | Imagen 1

O paleontólogo Juan Luis Arsuaga, co-director da Fundação Atapuerca e director científico do Museu da Evolução Humana, em Burgos, falou com o jornal el país (edição brasileira, 2019) para conversar sobre o o livro que tinha acabado de publicar - "Vida a grande história, uma viagem pelo labirinto da evolução." Trata-se um livro que tenta desvendar o sentido da vida. Entre outras coisas de interesse relevante, Juan Luís Arsuaga diz-nos que "a vida não pode ser trabalhar a semana inteira e ir ao supermercado no sábado" e também que "deve haver algo mais?e essa outra coisa chama-se cultura. É a música, a poesia, a natureza, a beleza?". Atapuerca é uma geografia de conhecimento e aprendizagem que a partir da sua fantástica jazida arqueológica tem trazido à superfície informação mais profundo sobre a evolução da nossa espécie. É um lugar de escavações sobre o passado mas que aponta caminhos de futuro. Um dia, com amigos, tive a oportunidade de me cruzar com este lugar mágico e partilhar emoções fortes num território que nos toca de forma impactante. Por isso, esta entrevista a Juan Luís Arsuaga ainda despoetizou mais a minha curiosidade e atenção. A experiência de um cientista que há muito escava as profundezas da terra para nos desvendar os mistérios de um tempo longo de construção da humanidade, alerta-nos para a vida que estamos a percorrer. Na verdade temos que ter algo mais do que trabalho durante a semana e visitas ao supermercado no sábado. Andamos mergulhados nos nossos mecanicismos de sobrevivência, vivendo para trabalhar e consumindo para continuarmos a viver para trabalhar. Temos que trabalhar para ganharmos a nossa estabilidade e sustentabilidade. Mas não podemos deixar de viver uma vida que acontece demasiado depressa. Temos que usufruir dos prazeres que ela nos oferece e que estão aí para os agarrarmos. Mas se andarmos enredados em circuitos fechados de trabalho-casa-supermercado deixaremos de respirar o que acontece fora desse vicioso labirinto. O paleontólogo diz-nos que deve haver algo mais para além deste patamar de subsistência. É por isso que nos fala da cultura, da natureza e da beleza. Precisamos de nos sacudir para continuarmos a viagem com mais equilíbrio e, sobretudo, com maior dimensão humana. Não nos podemos transformar em máquinas que trabalham uma semana inteira e passam o sábado no supermercado. Há mundo para abraçar. Há gargalhadas para soltar e afectos para dar e receber. Há música para ouvir e emoções para partilhar no palco da vida onde todos somos actores do nosso papel principal. O tempo voa. Por isso temos que o acompanhar depressa para encontrarmos zonas de descanso e lazer onde podemos ser nós fora das rotinas do trabalho. A vida é nossa, não a podemos desperdiçar. Estes alertas como os que Juan Luís nos deixa são fortes. Saibamos escutá-los para percorremos caminhos melhores.

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