Lunes, 17 de enero de 2022
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Para Antonio Colinas, desde Leiria (Portugal). Poema de Paulo José Costa

Para Antonio Colinas, desde Leiria (Portugal). Poema de Paulo José Costa

OPINIóN
Actualizado 17/07/2021
Alfredo Pérez Alencart

Para Antonio Colinas, desde Leiria (Portugal). Poema de Paulo José Costa | Imagen 1

El poeta Paulo José Costa

Dejo conocer otro de los poemas que me están llegando y que se incluirán en la antología "El ciego que ve", dedicada a Antonio Colinas y dentro del homenaje que se le tributará en el XXIV Encuentro de Poetas Iberoamericanos, previsto para los días 13 a 19 de octubre, por mí dirigido y formando parte del programa de actos de la Fundación Salamanca Ciudad de Cultura y Saberes.

Paulo José Costa Nasceu a 11 de Agosto de 1976 em Leiria, onde reside e exerce actividade profissional enquanto Psicólogo Clínico. No domínio da Poesia, publicou Sopro da Voz (2011); Vizinhança de Olhares (2014); Casa Alta (2017), Finalista da short-list dos Prémios Pen Clube Português (Categoria Poesia), e Se um Dia Voltares (2019). Encontra-se representado em diversas antologias de poesia em Portugal e Espanha; integra o projecto poético-musical CASA-NAU e tem colaborado na programação do Evento Literário RONDA ? Leiria Poetry Festival na cidade de Leiria. É Co-Editor da ACANTO ? Revista de Poesia.

A USURPAÇÃO DAS AVES

Para Antonio Colinas

As aves dardejam por entre a espera da semente

e o acinte do anoitecer. Parecem ter o dom da bravura,

rumando em busca de tempo. E evocam um retorno

que clamam à efémera casa da noite, usurpando as sombras

e o vacilo da desordem.

É por isto que os homens se distanciam das aves:

na sua voragem ininterrupta de tempo,

ocupados por frémitos e logros,

vão de avesso em avesso

submergindo no seu inapreensível território.

E tu, como num mapa de harmonias,

delineias o percurso irregular,

um azimute intuído na procura do luzente traçado,

não permitindo que te esmoreça a paixão do verso.

Susténs o fôlego do espanto, linha a linha, na bússola do coração.

Depois, suspendes o fio do sentido, como se entrelaçasses

o avesso infligido ao alento.

Legível e palpável a hesitação,

a adivinha inútil, o instinto de sobrevivência,

a apneia à tona dos limites do absurdo.

Leiria ? Portugal (08 JUL 2021)

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