O nosso tempo é, verdadeiramente, uma aldeia global. Uma espécie de aquário onde mergulhamos na vida que nos foi dada. As redes sociais amplificam tudo. Criam uma imensa pressão social sobre todos.
Projectam no espaço público vidas extraordinárias que não existem. Promovem o culto da imagem. Estimulam a competição pela comparação. Veneram os modelos fantasiados para que sejam seguidos. Muitos fazem sacrifícios inenarráveis numa busca incansável é insaciável pela perfeição, seja lá isso o que for. Sacrificam tudo no altar da projeção social.
Muitos são conhecidos por serem conhecidos. Vivem numa bolha repleta de artificialidades e de abismos na mesma proporção. São tudo e nada ao mesmo tempo. Mas aos olhos da comunidade que habita a aldeia global são uns valentes. São exemplos a seguir. No meio deste bulício mediático onde tudo acontece e nada existe encontramos realidades paralelas e gente de verdade. São invisíveis para as claques das redes sociais.
Mas são eles os valentes do nosso tempo. São os que trabalham para que as coisas aconteçam. Não são conhecidos, nem venerados e muito menos exemplos a seguir. Mas são todos os nomes desse manto de invisibilidade que anda na ribalta. São os que se levantam e deitam a pensar nos outros, trabalhando para que nada lhes falte. Não têm cara ou nome conhecido mas são eles que seguram as vidas de muita gente, justamente por tudo o que fazem, sempre de coração cheio. Sacrificam-se pelos outros.
Trabalham para os outros. Não reclamam de nada. São tão esforçados quanto generosos. São valentes e, para mim, imortais. Se pensarmos um pouco neste perfil podemos encaixar nele uma mãe que protege os filhos com a própria vida, um pai que trabalha até à exaustão para que o pão não falte na mesa ou uns avós que preenchem o que às vezes falta de carinho, valores e amor. São todos tão invisíveis quanto valentes. São eles que constroem a vida real sabendo que nunca serão conhecidos, venerados ou admirados.
Eles são a vida que acontece e não a sua sombra projectada nos ecrãs do espaço público. São eles que desenham, todos os dias, o nosso chão. São a luz do caminho! Obrigado por existirem e por nos carregarem ao colo desde sempre!
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