Andamos sempre com pressa. Vivemos com pressa. Fazemos tudo apressadamente. Mesmo quando dispomos de tempo, mantemos o ritmo acelerado, como se desacelerar significasse perder o estatuto de pessoas ocupadas que tantas vezes exibimos com orgulho desmedido.
Porém, neste frenesim diário, vamos encontrando pessoas que nos prendem na conversa e nos convocam para o tempo do vagar. Regra geral, são pessoas que enfrentam os invernos da solidão e das horas sem fim de vazio e ausência de afectos. Estão sozinhas, rodeadas por uma multidão de conhecidos.
Por isso, na volta da esquina, à entrada ou à saída de uma loja, ou no cruzamento de um caminho da aldeia, aproveitam todas as janelas de oportunidade para entabular uma conversa e fazer render o tempo até que o interlocutor diga que tem de ir porque está com pressa, tantas vezes para ir a lado nenhum.
Há dias, um encontro desta natureza veio ao meu encontro. Lá ia eu, no meu ritmo habitual, comprar o pão para o pequeno-almoço, quando um vizinho da rua de baixo me reteve numa conversa sobre as dificuldades de mobilidade das pessoas mais idosas. Tinha os meus afazeres, mas deixei-me ficar. Não por mera educação, mas por gosto e, de certa forma, por solidariedade.
Imaginei-me assim, dentro de uns anos, à procura de uma conversa que me fizesse sentir vivo. Afinal, o pequeno-almoço podia esperar. Aquela conversa não.
E a conversa foi boa. Percebi que temos muito a aprender e, sobretudo, muito a fazer para reforçarmos a coesão social e a fraternidade nos bairros das nossas cidades, aproximando-os do espírito comunitário que ainda resiste em muitas aldeias.
Temos de lançar mãos à obra para combater a solidão e a invisibilidade de tantas pessoas maiores que, por vezes, se sentem pequenas. Em cada um de nós reside a possibilidade de fazer a diferença: começando em casa, estendendo a atenção ao círculo mais próximo, aos vizinhos e, depois, aos desconhecidos que se cruzam no nosso caminho.
Uma palavra. Um gesto de bondade. Alguns minutos oferecidos sem olhar para o relógio. Gestos simples que podem iluminar o coração de alguém e recordar-lhe que continua a ser visto, ouvido e importante.
Talvez seja esse o verdadeiro antídoto para a solidão: a disponibilidade para estarmos presentes uns para os outros, num tempo que insiste em empurrar-nos sempre para outro lugar.
La empresa Diario de Salamanca S.L, No nos hacemos responsables de ninguna de las informaciones, opiniones y conceptos que se emitan o publiquen, por los columnistas que en su sección de opinión realizan su intervención, así como de la imagen que los mismos envían.
Serán única y exclusivamente responsable el columnista que haga uso de nuestros servicios y enlaces.
La publicación por SALAMANCARTVALDIA de los artículos de opinión no implica la existencia de relación alguna entre nuestra empresa y columnista, como tampoco la aceptación y aprobación por nuestra parte de los contenidos, siendo su el interviniente el único responsable de los mismos.
En este sentido, si tiene conocimiento efectivo de la ilicitud de las opiniones o imágenes utilizadas por alguno de ellos, agradeceremos que nos lo comunique inmediatamente para que procedamos a deshabilitar el enlace de acceso a la misma.