Todos já julgámos ter perdido tempo: com pessoas, funções, tarefas, escolhas. Dizemo-lo com facilidade, quase como um veredicto. Mas raramente paramos para pensar naquilo que esse tempo nos devolveu. Porque, na verdade, não há tempo perdido — há consciência que se ganha. Como escreveu Federico Fellini, “a experiência é aquilo que nos acontece enquanto estamos à procura de outra coisa”. E é precisamente nesse desvio, nesse intervalo entre o que queríamos e o que vivemos, que muitas vezes nos encontramos.
As experiências difíceis, aquelas que nos infligiram dor e desconforto, transportam sempre lições discretas, muitas vezes invisíveis à primeira vista. São aprendizagens que não vêm em forma de sucesso, mas de confronto. Cada situação que correu mal, cada passo que não nos levou onde esperávamos, foi, afinal, um exercício silencioso de autoconhecimento: aprendemos o que toleramos, o que merecemos e, sobretudo, aquilo que já não estamos dispostos a aceitar. Sob essa luz, nenhum caminho foi em vão.
O tempo merece respeito. É escasso, irreversível. Mais valioso do que o dinheiro, porque este pode ser recuperado — o tempo, nunca. Ainda assim, viver bem não significa evitar o erro ou a queda. Significa aprender com tudo aquilo que nos acontece.
O percurso da aprendizagem não é linear. Faz-se de curvas e contracurvas, de subidas exigentes e descidas abruptas. Muitas vezes confundimos falhar com recuar, quando, na realidade, falhar é despertar. É nesse instante que percebemos que nem tudo o que desejamos nos convém e que nem tudo o que perdemos representa uma derrota.
Ao longo da viagem, cruzamo?nos com pessoas, sonhos e circunstâncias que chegam apenas para nos revelar uma parte de nós que precisávamos de ver. Depois partem. E está tudo certo assim. A consciência, esse presente raro, quase sempre vem embrulhada em desilusões.
Com o tempo, tornamo?nos mais seletivos, mais honestos com os nossos limites, mais claros quanto aos nossos desejos. A experiência vivida — mesmo aquela que julgámos desperdiçada — dá?nos hoje a capacidade de estabelecer fronteiras, de dizer não sem culpa e de fazer escolhas mais serenas, com menos medo.
Nada disso foi tempo perdido. Foi investimento. Foi sementeira. Foi o preço necessário para nos compreendermos melhor, fortalecer a intuição e deixar de repetir histórias que já não nos pertencem.
E quando olhamos para trás com esta nova perspetiva, entendemos que tudo — inclusive aquilo que nos magoou — nos conduziu exatamente ao lugar onde estamos agora. Um lugar mais consciente, mais forte, mais alinhado connosco.
Não perdemos tempo.
Ganhámos consciência.
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