Domingo, 16 de diciembre de 2018

'Mi Salamanca. Guía de un poeta nordestino', de David de Medeiros Leite

 

              Alfredo Pérez Alencart, David de Medeiros Leite y José Amador Martín

El 16 de octubre el Salón de Actos del Centro de Estudios Brasileños de la Universidad de Salamanca acogió la presentación del libro ‘Mi Salamanca. Guía de un poeta nordestino’ (coedición de Sarau das Letras y Trilce Ediciones), de David de Medeiros Leite. Intervine en dicha presentación porque soy autor de la traducción al castellano y del pórtico que abre la edición, bellamente ilustrada con fotos de la ciudad realizadas por José Amador  Martín.

 

Aquí el pórtico:

 

 

SALAMANCA: DESTINADA A SER

 

 

I.

 

Aquí, a esta urbe o Luciérnaga de Piedra, suelen llegar gentes del mundo deseosas de entrañarse en sus arterias. No me refiero a turistas de paso apresurado ni a viajantes cuyas labores o negocios testimonian una presencia sin presencia en la Capital del Tormes. Hablo de quienes, con pasión genuina, se instalan por un tiempo en este enclave cultural, y, a modo de gratitud, confiesan su querencia y la plasman en poemas, crónicas, pinturas, reportajes fotográficos…

 

Pero la ciudad no siempre se desboca: recatada, cual antigua moza castellana, Salamanca solo permite alguno que otro manoseo de aquel amante que la respeta y protege, cual los llamados Fray Luis de León o Unamuno, foráneos, por cierto.

 

 

II.

 

Hacer una travesía por sus céntricos ejes principales podría semejar a encontrarse con la eternidad desenraizada; pero conviene mesurar el elogio. No obstante, lo verosímil es que por aquí debe existir un inmenso imán que impele a instalar el corazón ya por siempre en la Plaza Mayor, en el austero Patio de las Escuelas Menores o, como es mi caso, en la antigua biblioteca del edificio histórico de mi ocho veces centenaria Universidad, por ejemplo.

 

Yo mismo vine para estar unos dos o tres años, y ya llevo treintaitrés…

 

III.

 

Aquí tienen una veintena de miradas o apuntes que David de Medeiros Leite, jurista y poeta brasileño, ha deseado publicar – a modo de guía sentimental – sobre esta ciudad que aprendió a querer tras los varios años que vivió en ella mientras culminaba sus estudios de doctorado en Derecho. Si ya había publicado, en “Cartas de Salamanca” (2015), las crónicas mensuales que enviaba a su Mossoró natal; si en su primer libro de poemas, “Incerto Caminhar” (2009), encontramos algunos textos dedicados a Salamanca; ahora tenemos unas notas o prosemas donde deja constancia de su contento por hacer de guía de la ciudad que buscó entrañar.

 

Cada quien hace las rutas que los ojos o el corazón estiman: Leite nos presenta una acertada propuesta, para que todo recomience en cada visitante que por vez primera camine por calles y plazas salmantinas. También para que posibles lectores lejanos tomen conocimiento, mediante su claridad y síntesis, de una hospitalaria ciudad de la vieja Castilla tan llena de leyendas y de auténticos logros humanísticos.

 

IV.

 

Las cautivantes fotografías de José Amador Martín, un amante consumado de Salamanca, convierten a este libro en una hermosa guía para – ya casi en el cuarto lustro del XXI– intentar atrapar unas porciones de la hermosa ciudad antigua.

 

Mayo y en Tejares (2018)

Alfredo Pérez Alencart

 

 

 

SALAMANCA: DESTINADA A SER

 

 

I.

 

Aqui, a esta urbe ou este Vaga-lume de Pedra, costumam chegar gentes de todo o mundo almejando entranhar-se em suas artérias. Não me refiro aos turistas apressados nem aos viajantes cujos trabalhos ou negócios testemunham uma presença sem

presença na capital do Tormes. Falo daqueles que, com paixão genuína, se instalam por um tempo neste enclave cultural, e, como forma de gratidão, confessam sua afeição, materializando esse sentimento em poemas, crônicas, pinturas, reportagens

fotográficas...

 

Mas a cidade nem sempre se mostra: recatada, como uma antiga moça castelhana, Salamanca apenas permite um ou outro toque daquele amante que a respeite e proteja, como os conhecidos Frei Luís de Leão ou Unamuno – forasteiros, anote-se.

 

 

II.

 

Atravessar os principais pilares centrais pode assemelhar-se a encontrar-se com a eternidade desenraizada; mas convém amoldar o elogio. Contudo, o mais provável é que por aqui deve existir um imenso ímã que impele o coração a instalar-se para sempre

na Praça Maior, no austero Pátio das Escolas Menores ou, como em meu caso, na antiga biblioteca do edifício histórico de mina oito vezes centenária universidade, por exemplo.

 

Eu mesmo vim para ficar por uns dois ou três anos, e já se vão trinta e três...

 

 

III.

 

Aqui constam duas dezenas de observações ou anotações que David de Medeiros Leite, jurista e poeta brasileiro, desejou publicar – a título de guia sentimental – sobre esta cidade que aprendeu a querer mesmo depois dos vários anos, durante os quais viveu nela, enquanto finalizava seus estudos de doutorado em Direito. Se já havia publicado, em “Cartas de Salamanca” (2015), as crônicas mensais que enviava a sua cidade natal,

Mossoró; se em seu primeiro livro de poemas, “Incerto Caminhar” (2009), encontramos alguns textos dedicados a Salamanca; agora temos umas notinhas ou poemas em prosa nos quais sublinha sua alegria por poder ser um guia de uma cidade em que buscou se entranhar.

 

Cada um faz as rotas que os olhos ou o coração admiram: Leite nos apresenta uma proposta certeira, para que tudo recomece em cada visitante que pela primeira vez caminhe pelas ruas e praças salmantinas. Também para que possíveis leitores de distantes paragens tomem conhecimento, através de sua clareza e síntese, de uma cidade hospitaleira da velha Castela tão cheia de lendas e de autênticas conquistas humanistas.

 

                David de Medeiros Leite, Pilar Fernández Labrador y maria Vilani Dantas

 

IV.

 

As cativantes fotografias de José Amador Martín, um amante consumado de Salamanca, tornam o livro num bonito guía para – já quase no quarto quinquênio do século XXI – tentar pescar uns pedaços da bonita cidade antiga.

 

Maio, em Tejares (2018)

 

Alfredo Pérez Alencart

 

Tradução para o portugués de Leonam Cunha

Fotografías de Jacqueline Alencar 

      Maria Vilani Dantas, David de Medeiros Leite, A. P. Alencart y Jacqueline Alencar (foto de P. R.)