Lunes, 17 de enero de 2022
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As nossas guerras

As nossas guerras

OPINIóN
Actualizado 09/01/2022 10:03
Miguel Nascimento

Todos temos as nossas guerras, individuais ou colectivas. Todos combatemos os nossos moínhos de vento. Todos acomodamos os nossos fantasmas. Naturalmente não estou a falar de guerras que atentam contra a vida humana, sejam elas de confronto físico ou de utilização de armas de destruição maciça. Estou apenas a enquadrar a arte da guerra às nossas batalhas de todas os dias e de todos os tempos. Elas podem ser mais ou menos visíveis, para nós e para os outros, mas estão lá, no caminho. No teatro das operações. No chão das nossas vidas. Essas batalhas têm que ser travadas. Não lhes podemos fugir, mesmo que essa seja a nossa maior vontade. Se não enfrentarmos o que deve ser enfrentado nunca conseguiremos encontrar a paz nem acomodar os nossos fantasmas. Neste sentido, só há um caminho a percorrer que é, precisamente, o de seguirmos em frente. Curiosamente, nas teses da arte da guerra encontramos semelhanças extraordinárias com a realidade das nossas quotidianas batalhas. De forma sábia Sun Tzu escreveu o seguinte:

“Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas...”.

Na verdade perdemos e ganhamos muitas batalhas. Muitas vezes entendemos a razão e outras não. Há vitórias e derrotas que têm explicação racional e outras que apenas se situam no domínio da componente emocional. Entramos tantas vezes em confrontos sem verdadeiramente nos conhecermos e outras tantas sem fazermos ideia das virtudes e defeitos dos nossos adversários. Vamos em frente com o coração, deixando de lado a razão e a estratégia. Sofremos com isso. Mas não desistimos, justamente porque queremos enfrentar todos os moinhos de vento para continuarmos o caminho da nossa autenticidade enquanto seres de alma e coração. Apesar das contrariedades seguimos em frente, arrumando os nossos fantasmas e semeado a esperança nos dias melhores. Também por isso cada vez mais importa quem está connosco na demanda mesmo que não compreenda tudo o que vai na nossa cabeça. A este propósito recordo uma das maiores inquietações de Hemingway:

Quem estará nas trincheiras ao teu lado?

? E isso importa?

? Mais do que a própria guerra.

Na verdade há questões maiores do que o resultado final de uma batalha. Uma delas é a valorização daqueles que estão connosco e que sonham ao nosso lado todos os futuros que amanhecem.

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