Lunes, 17 de enero de 2022
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O tempo da travessia

O tempo da travessia

OPINIóN
Actualizado 04/01/2022 15:37
Miguel Nascimento

Os primeiros dias do ano marcam a viragem do tempo. Apesar dessa irrefutável circunstância tudo permanece igual e a passagem para outro ano parece apenas uma formalidade na qual depositamos todas as esperanças enquanto formulamos desejos simples ou complexos. Os momentos simbólicos inspiram-nos e alimentam-nos no caminho. Mas para além de todas as fantasias somos nós que temos que fazer e empreender. Como nos disse Guimarães Rosa “quem elegeu a busca não pode recusar a travessia .“ É justamente a busca permanente que nos faz percorrer as geografias de todos os tempos. Fazemos as travessias que temos que fazer. Atravessamos montanhas e vales. Atravessamo-nos em todos os sentimentos e emoções que cada volta do sol nos oferece. Porém, entre um caminho e outro vamos-nos formatando a um determinada forma de andar enquanto nos vamos esquecendo da imperiosa necessidade de mudança que, de vez em quando, temos que empreender. Por isso, na palavra de Fernando Teixeira de Andrade “há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.” Neste tempo novo é preciso continuarmos a nossa busca e a nossa travessia de sempre. A vida faz-se para a frente e em direção a todos os amanhãs. Enquanto cumprimos o nosso destino devemos também provocar a verdadeira mudança, abandonando roupas velhas e sobretudo os caminhos que nos levam sempre as mesmos lugares e a portas fechadas. Para não ficarmos à margem de nós tempos que romper, partir e quebrar rotinas gastas para reconstruirmos todos os caminhos que nos levem a novas latitudes de liberdade e esperança. Não há caminhos de luz se não tivermos percorrido as veredas das trevas. A mudança acontece em nós e é a partir dela que mudamos o resto. Há um tempo em que devemos ser nós por inteiro . E esse tempo é já. É agora! Façam-se à estrada. Caminhem. Mudem. Sejam felizes.

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