25 de Abril sempre!

Hoje, em Portugal, celebramos o 25 de Abril de 1974, dia histórico e memorável que nos devolveu a liberdade e instaurou a democracia depois de 48 longos anos de ditadora. Recordamos essa madrugada há muito esperada e esse dia inicial, inteiro e limpo como lhe chamou Sophia de Mello Breyner. Recordamos os militares de Abril e todos os homens e mulheres que tudo fizeram para acabar com “o estado a que isto chegou”, como sublinhou o grande e saudoso capitão Salgueiro Maia. Hoje é tempo de erguermos os punhos ao alto exibindo os cravos vermelhos que significam liberdade e esperança no futuro. É tempo de cantarmos, na rua, a Grândola Vila Morena do Zeca Afonso para nos lembrarmos sempre que uma canção pode mobilizar um país inteiro em direcção à liberdade. Há 47 anos os portugueses fizeram uma revolução sem sangue e libertaram o país das amarras de um regime opressor e sombrio que nos isolou do mundo democrático. Nessa madrugada de Abril  e nas horas que se seguiram fundámos um país novo alicerçado em pilares humanistas, solidários e indutores de desenvolvimento e coesão social. A celebração do 25 de Abril é sempre um tempo de festa e de renovação de princípios e valores fundacionais da terra da fraternidade, como a liberdade e a democracia. Mas este é também um momento de grande reflexão sobre o caminho que trilhámos até aqui e, sobretudo, sobre o que ainda falta fazer para cumprirmos, na sua plenitude, os ideais da revolução dos cravos. Ao reafirmarmos  “25 de Abril sempre” estamos, colectivamente, a relembrar para não esquecer. Estamos a dizer em voz alta que a liberdade, esse bem maior,  tem de ser preservado e cuidado todos os dias. Pela mesma razão não podemos dar espaço aos que estão sempre à espreita de uma oportunidade para fragilizarem a democracia. O futuro só pode ser construído com base no estado de direito democrático e em total liberdade. Como sabemos, o sistema democrático não é perfeito. Ainda assim, como disse Churchill, é melhor que todos os outros. Em cada esquina, em cada volta do tempo, os inimigos da democracia vão aproveitando todas as brechas para darem um passado no regresso ao passado em que uns, poucos, tinham domínio sobre tudo e todos, em geografias de liberdade amordaçada. Os cravos de Abril nunca podem murchar e a democracia deve renovar-se e florescer como a Primavera. Cantar Abril é celebrar os poetas das trovas do vento que passa. Cumprir o 25 de Abril no presente é actualizar a sua mensagem. É explicar para que todos entendam. É envolver para que todos a assumam. É cuidar para que ninguém fique para trás. Evocar Abril é um dever de qualquer democrata para que a nossa história colectiva seja sempre um tempo de liberdade.  Hoje habitamos a substância do tempo e voamos nas asas vento de uma gaivota, nesse coração de mar, para, como ela, sermos livres de sonhar com um futuro melhor para todos. Hoje, de cravo em punho é preciso dizer bem alto: “25 de Abril sempre!”