Somos mestres da ilusão

A vida é uma ilusão. Uma realidade que existe em função da apreensão que todos fazemos dela. Se a ilusão é uma confusão dos sentidos que provoca uma distorção da percepção, então a nossa vida é quase sempre um tempo percepcionado de forma absolutamente subjectiva. Porém, se a vida for uma ilusão e aceitarmos isso com naturalidade só temos que escolher uma dessas ilusões para a vivermos com intensidade. Sim, a vida passa a correr. É tudo um instante que repousa numa imensa fragilidade. Um amigo diz-me, com frequência, que precisamos de retirar peso às coisas. Perante um problema precisamos de o decompor, retirando carga ao peso que uma determinada questão representa. Preocupamo-nos muito com a catalogação das coisas e seu respectivo posicionamento. Importa-nos muito o olhar dos outros em relação às ilusões que encenamos. Consoante a maior ou menor habilidade para a encenação da realidade assim vamos subindo na hierarquia, qual escada da verdadeira ilusão. Vamo-nos entretendo nisto,l e naquilo, gastando o tempo a alimentar as nossas ilusões e as dos outros. Nem sequer somos capazes de escolher uma delas para nos especializarmos e vivermos a vida de uma determinada maneira. Perdemo-nos constantemente na ilusão de nós. Trocamo-nos como se fôssemos um baralho de cartas que voltamos a distribuir para continuarmos o jogo. No fim, no instante em que tudo acaba, nem percebemos o que fizemos da nossa vida nem que jogo andámos a jogar. Nesse tempo derradeiro não saberemos se ganhámos ou perdemos na medida em que a ilusão que tomará conta de nós não nos deixará distinguir isso. A vida é um jogo. Então vamos a isso. Com alegria e intensidade. Mergulhemos nessa aventura, mesmo que tudo não seja mais do que uma ilusão. Não importa se ganhamos ou perdemos. Interessa o que vivemos e as emoções que sentimos. Mesmo assim tudo pode não passar de uma ilusão. Mas será a nossa. Agarremo-nos a ela para contemplarmos o espectáculo que criámos para nós. Aí, seremos os mestres da ilusão que escolhemos ser. Sim, seremos felizes, sem peso nos ombros, cumprindo o nosso caminho., sendo actores por inteiro do nosso ilusório destino.