As raízes que nos ligam à terra

 

Somos fruto da sementeira que a terra deixou germinar. Somos feitos de pedaços de história e do somatório de afectos que o tempo ajudou a juntar à nossa volta. Somos a expressão conjunta dos nossos pais, dos nossos avós e de todas as gerações que os precederam. Somos o resultado das tradições e dos modos de fazer da comunidade,  das nossas raízes. Fomos crescendo com elas e habituamo-nos a interagir com o mundo a partir desta base ancestral. Carregamos, com felicidade, esse peso nos ombros. Temos orgulho nas nossas raízes e nos fundamentos que nos geraram, por mais humildes que sejam. Somos a fala da nossa pronúncia e levamos no peito a memória conjunta da geografia dos nossos afectos. Podemos ir para longe mas estaremos sempre perto dos nossos alicerces. Só assim, com este pensamento, podemos seguir viagem e enfrentar os obstáculos do caminho. Só assim podemos ir buscar forças às entranhas para enfrentarmos desafios maiores que nós, nomeadamente quando o combustível nos faltar e tivermos que seguir em frente. As raízes alimentarão sempre os nossos sonhos e rejuvenescerão o nosso propósito. Escrevo estas notas a partir da Beira Interior, geografia transfronteiriça e território de gente habituada a superar dificuldades. Aqui está o meu chão, o meu céu estrelado e também a linha de horizonte que contemplo todos os dias à procura do sonho do tempo que se segue. É aqui, junto das águas cristalinas que escorrem pela montanha abaixo, que procuro construir a minha felicidade apesar de todas dificuldades de contexto. É aqui neste lugar da interioridade que penso no futuro e na forma de continuar a honrar as minhas raízes e a construir amanhãs que nunca serão fáceis. É aqui, no meio do pó que o vento nos projecta na cara que encaro todas as viagens que tenho de fazer na esperança de voltar sempre ao terreiro onde gosto de contemplar o sol que a todos nos deve iluminar!