Sábado, 17 de agosto de 2019

As borboletas também puxam pedras

Encontrei esta imagem por aí. Encantei-me com ela. Representa um momento extraordinário, belo e de uma enorme singularidade. Podemos pousar o nosso olhar nesta fantástica visão para desfiarmos mil e uma histórias sobre o que estamos a ver ou talvez imaginar. A mesma imagem pode desenhar histórias em dois sentidos. Estará a borboleta presa a uma pedra, limitada no seu espaço e na sua vivência, ou será uma borboleta que puxa a pedra com toda a sua determinação para concretizar um objectivo extremamente difícil? Cada um de nós pode imaginar um sentido para uma história em conformidade com o nosso desejo ou talvez influenciados pela mensagem que esta imagem pode despertar em nós. De facto esta borboleta pode estar em sofrimento, aprisionada contra a sua vontade e condenada a viver condicionada e longe dos prados verdejantes a que está habituada. Mesmo assim, se nós quisermos, esta aparente condicionante da borboleta não deixará de lhe proporcionar felicidade na medida em que as suas cores darão brilho à sua existência e luz ao seu espaço confinado. Para isso basta que este ser leve e azul não se deixe aprisionar por dentro. Esta borboleta, tal como nós, saberá encontrar sentido para as suas coisas e para a sua vida apesar de todas as limitações, forçadas ou não, que o destino lhe proporcionou. Às vezes também somos borboletas aprisionadas num espaço demasiado pequeno e agarrados a pesos demasiado pesados para a dimensão das nossas forças. Nessas circunstâncias temos que tentar viver da melhor forma possível e sem olharmos para trás, para o que nos prende e para tudo o que não nos deixa voar. Se não conseguirmos voar, imaginamos que estamos a fazê-lo em total liberdade e em direcção ao destino e ao caminho com que sempre sonhámos. Mas, olhando para esta imagem também podemos estabelecer um paralelismo com as nossas vidas quando se manifestam as dificuldades da nossa viagem. Às vezes somos a borboleta leve e frágil que carrega um peso de dimensão superior à nossa capacidade de progressão. Ainda assim, sendo puxados para trás, tentamos, com todas as nossas forças, seguir em frente à procura da nossa felicidade. Arrastar uma pedra pode ser tão difícil para uma borboleta como, para nós, ultrapassarmos determinadas dificuldades. Porém, numa caso e noutro não nos resta outra opção para além de continuarmos a cumprir o sonho que nos comandará o destino. Apesar das dificuldades a determinação será sempre o leme da nossa vontade. E para além da dureza dos dias ou da leveza de certos momentos podemos sempre inspirar-nos nesta borboleta que puxará sempre as pedras que lhe aparecerem no caminho.