Sábado, 24 de agosto de 2019

O tempo e o esplendor da natureza

A nossa vida corre demasiado depressa. E nós ainda a aceleremos mais. Corremos para todo o lado, sempre com pressa, para chegarmos a tudo e a nada. Entretanto o tempo passa por nós quase sem nos darmos conta. Lá mais à frente quando enfrentarmos o espelho percebemos, quase em pânico, o que a crueldade do tempo nos fez. Para trás ficam dias que passaram como se fossem grãos de areia que nos fugiram entre os dedos. Nesse momento de aflição percebemos que é demasiado tarde para alterarmos o passado. Apenas podemos olhar em frente, para o tempo que nos resta. Do passado podemos apenas fazer balanços. Pensamos nos que fizemos bem e também no que fizemos mal. Arrependemo-nos muito das coisas que não fizemos. E foram muitas. Fazemos contas ao tempo que ainda julgamos ter. Fazemos contas para o gastarmos melhor. E a primeira coisa que fazemos é aprender a caminhar mais devagar e a sentir o vento que passa. Depois subimos a montanha até ao alto. Contemplamos a natureza em todo o seu esplendor. O nosso olhar segue o deslizar suave e majestoso das aves ao mesmo tempo que desenha linhas de esperança até ao infinito. Deixamo-nos envolver na sonoridade que a natureza nos oferece. Olhamos para baixo e para o céu, muitas vezes. Deixamo-nos estar. Sentimos paz e tranquilidade. Sentimos amor por nós e pelos outros. O tempo corre agora mais devagar. Vivemos mais. Vivemos melhor. Esvaziamos a nossa cabeça das preocupações dos dias que correm. Haverá tempo para isso. Agora é tempo de nos deixarmos estar abraçados, na quietude, escutando o estalar das águas que caem pela encosta. O sol vai regressando a casa. Entretanto pintou o horizonte de cores maravilhosas que nos encheram a alma. Nesses minutos leves e de profunda comunhão com a natureza ficámos mais preenchidos por dentro. Sentimo-nos agora mais preparados para voltar a descer e para fazer o que devemos fazer no caminho. Voltaremos à montanha e à paz que ela nos transmite. Ao voltarmos continuaremos nesta lenta aprendizagem até sabermos gastar melhor o nosso tempo. As horas e os dias terão outras contas. Seremos mais felizes. Com mais tempo para nós e com mais amor para darmos aos outros. Entretanto regressamos do alto e damo-nos conta que manto negro da noite já nos envolveu. É tempo de contarmos as estrelas para nelas depositarmos os sonhos de um tempo novo.