Domingo, 8 de diciembre de 2019

Caminhos acompanhados

“O meu caminho pode não ser o teu caminho. Contudo, juntos marchamos de mãos dadas.” Khail Gibran

O caminho que seguimos é o nosso. Não é de mais ninguém. Mas se seguirmos sozinhos a viagem não tem piada nenhuma. A solidão é indispensável. É absolutamente necessária para nos encontramos connosco e para nos questionarmos. Para além da agitação dos dias que passam precisamos de marcar encontros connosco, a sós, na quietude. Mas isso são momentos que procuramos ou que o destino convoca. São tempos especiais que não anulam os outros em que a viagem se faz em companhia. Nem todos coincidimos nos mesmos objectivos e propósitos. Temos feitios diferentes e visões do mundo diferenciadas. A multiplicidade de emoções que gira à nossa volta enriquece a nossa condição. Quando seguimos acompanhados podemos aprender mais e absorver um universo de coisas novas que nos enchem o coração. Quando seguimos no caminho com outros a caminhada tem outra gestão do tempo e do espaço. Não fazemos tudo o que queremos. Não seguimos para onde queremos. Não vamos à velocidade que queremos. Temos que nos adaptar aos outros e os outros têm que se encaixar em nós. E isso faz toda a diferença. É precisamente esse entrosamento de contrários e de diferenças que faz a riqueza da vida e do caminho. O filósofo e poeta Khail Gibran disse, a este propósito, que “o meu caminho pode não ser o teu caminho. Contudo, juntos marchamos de mãos dadas.” Esta frase poderosa inspira-nos para seguirmos de mãos dadas apesar dos caminhos diferentes que temos de percorrer ao longo do tempo da nossa viagem. Dar as mãos significa estender o coração. Tocar e sentir o outro que nos acompanha. Não temos que olhar para as mesmas coisas. Não temos que pensar da mesma maneira. Temos que seguir juntos, de mãos dadas. Os caminhos que se percorrem em companhia são extraordinários. São de uma beleza incomensurável. Preenchem-nos e completam-nos. Quando seguimos em conjunto conseguimos encher a nossa alma e elevar a outro patamar de afectos a nossa humana condição. Quando damos as mãos podemos fazer quase tudo! Temos mais brilho nos olhos e mais luz no coração. Somos mais poderosos e conseguimos fazer mais coisas. Se seguirmos de mãos dadas nunca deixaremos de ser quem somos na nossa indispensável individualidade mas conseguirmos chegar mais longe, com mais amor e, sobretudo, com mais felicidade. E é nesse caminho de luz que percorremos de mãos dadas que devemos depositar a nossa esperança e semear dias cheios e completos.