Sábado, 17 de agosto de 2019

O Tempo de Janus

Amanhã é um tempo novo. Fechamos um ciclo e abrimos outro. É um tempo de passagem. Um espaço de renovação de energias. Olhamos para o ano que passou como o velho das barbas de Janus e, através da sua outra face, mais  jovem, contemplamos o futuro que começa ali, em Janeiro, no tempo do deus romano das portas e portais. Os anos do nosso tempo também são assim, representados na dualidade do velho e do novo, do passado e do futuro. Por estes dias, encontramo-nos na transição, no meio da ponte, no espaço de todas as mudanças e metamorfoses. O ano novo que aí vem perspectiva tempos de inícios, de decisões e de escolhas. Olhamos para nós e para os outros. Reflectimos sobre o que fizemos e também sobre o que ficou por fazer. Registamos os nossos erros e aprendemos com eles. Procuramos melhorar o nosso desempenho e lançamos a esperança para os primeiros dias de Janeiro, para os inícios do tempo novo, para o tempo de Janus. Nesta passagem e nesta mudança formulamos desejos e perspectivamos resoluções. Juramos fazer isto e aquilo e mudar a nossa atitude em relação a muita coisa. Tal como Janus seguramos na mão a chave de todas as portas que se abrirão em função dos nossos desejos como se tudo na nossa vida se resolvesse  com um passe mágico. Depois de passarmos para o tempo novo vamos adiando as promessas. Vamo-nos esquecendo do que prometemos e de todos os desejos que, secretamente, formulámos. A meio do ano novo já estamos à espera do seu fim para nos reformularmos e relançarmos a esperança para o outro novo tempo que virá como sempre acontece desde o ano de 46 a. C.  Entre passagens, vamo-nos metamorfoseando de forma muito tímida. Fazemos pouco para concretizar os nossos desejos e para, verdadeiramente, vivermos uma vida plena e com mais significado. Por isso, neste tempo de reflexão interior, desejo a todos uma boa passagem e também que façam tudo o que estiver ao vosso alcance  para abrirem  as portas dos sonhos que estão aí à vossa frente. Neste tempo novo, neste tempo de Janus, devemos fazer mais por todos nós, para que as mudanças aconteçam. Se assim fizermos encontraremos algures, entre o passado e o futuro, a chave da nossa felicidade.