Miércoles, 21 de agosto de 2019

O quinto mandamento

“A indiferença mata. É como dizer ao outro: és um morto para mim, porque o mataste no teu coração. Não amar é o primeiro passo para matar; e não matar é o primeiro passo para amar.” Papa Francisco

O quinto mandamento da Lei de Deus diz: “não matarás!” Só Deus é dono da vida humana. Por isso, os homens devem respeitá-la. Esta semana, a partir da Praça de São Pedro, o Papa Francisco veio falar-nos do quinto mandamento reforçando que “a ira, o insulto e o desprezo contra os outros são também uma forma de homicídio.” O mandamento do meio, inscrito nas Tábuas de Moisés é, tal como os outros, muito poderoso. Mas é especial na medida em que nos fala da vida e da sua protecção. “Não matarás” é, em si, um tratado humanista e uma magnífica fonte de inspiração. A frase é simples, forte e poderosíssima! Mas não é fechada e permite muitas interpretações e o desenho de muitos caminhos. A partir dela e como sempre fizeram os mestres que interpretaram o “Decálogo”, a questão da preservação da vida leva-nos a navegar nas águas de temas fortes como a eutanásia, o aborto, o suicídio, a pena de morte, entre outros. Como se sabe não são temas pacíficos e muito menos unânimes. Desta vez não irei por aí. Procuro apenas redescobrir convosco a força das palavras do Papa Francisco que nos avisam para outras dimensões da nossa vida enquanto seres humanos que precisam uns dos outros, exactamente para cumprirem essa condição. O detentor da cadeira de Pedro não nos diz nada de novo. Mas as suas palavras fortes e determinadas fazem eco no mundo inteiro. É preciso que as saibamos escutar com atenção. A propósito do quinto mandamento o Papa diz-nos que a “indiferença mata. É como dizer ao outro: és um morto para mim, porque o mataste no teu coração. Não amar é o primeiro passo para matar; e não matar é o primeiro passo para amar (…) “nós, estamos acostumados a insultar. Esta é uma forma de matar a dignidade de uma pessoa.” Da praça de São Pedro vêm sinais de alerta que precisam de ser acomodados no nosso coração. No tempo de todos os insultos, indiferenças e desprezos, precisamos de seguir esta luz que o Papa nos oferece para cumprirmos a nossa dimensão humana na sua plenitude. Para chegarmos até um determinado ponto no caminho não precisamos de insultar. Não precisamos de cultivar a indiferença e o desprezo. É certo que na nossa humana imperfeição nem sempre conseguimos fazer isso. Temos os nossos defeitos. Nem sempre andamos alinhados com os mandamentos da Lei de Deus. Falhamos! Atiramos pedras! Disparamos insultos! Verbalizamos a nossa ira! Ignoramos e desprezamos vezes sem conta! Somos indiferentes quando devíamos estar próximos! Sim, falhamos muito! Mas se tivermos consciência e clareza no caminho saberemos reconhecer as nossas falhas e fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para emendarmos a mão. E se todos fizermos isso as convergências acontecem. A tranquilidade vem à tona das águas e a paz é alcançada. Vivemos tempos conturbados, de grande competitividade e individualismo. O combate diário a que nos entregamos cega-nos! Não nos deixa ver a luz ao fundo do túnel. Fazemos de tudo uma luta sem tréguas. Quase de vida ou de morte. Nesse calor do combate pelas nossas futilidades damo-nos conta dos erros e dos vazios em que tantas vezes caímos. Por isso, as palavras do Papa são mais do que reflexões do catecismo cristão ou perspectivas de abordagem do catolicismo. São um abraço de mundo! São uma proposta ecuménica para todos os que gostam da vida e do caminho trilhado em conjunto. A mensagem do Papa Francisco é clara: “ninguém de nós pode sobreviver sem misericórdia, todos precisamos do perdão. Portanto, se matar significa destruir, suprimir, eliminar alguém, então não matar é dizer curar, valorizar, incluir. E também perdoar.” Convido-vos a escutar estas palavras e, sobretudo, a reflectir sobre elas. É bom quando a luz surge no caminho para nos levar mais longe, a um porto seguro!