Domingo, 25 de agosto de 2019

O meu elogio da paciência

“Aprendi que vai demorar muito para me transformar na pessoa que quero ser, e devo ter paciência. Mas, aprendi também, que posso ir além dos limites que eu próprio coloquei.”  Charles Chaplin

Penso muito no tempo e sobretudo como ele corre depressa! Quando era mais jovem o tempo parecia uma coisa infinita, com dias grandes e ciclos da natureza muito longos e densos. Agora o tempo foge-me da mão. Atravessa-me a toda a velocidade! Faço de tudo para retardar os dias que passam. Peço cada vez menos que o dia acabe. Às vezes não sei porquê. Não encontro essa manifestação disfarçada. Mas, na maioria das vezes, sei… acima de tudo sei que já estou na fase de correr contra o tempo e que, por isso, tenho que o aproveitar melhor. Procuro deliciar-me com os dias e as noites que passam, apesar de tudo e da velocidade do tempo que me atravessa a toda a velocidade e me envelhece. Não gosto de envelhecer fisicamente. Mas gosto de envelhecer sobre o pensamento das coisas e dos afectos. Com o tempo também amadurece e enriquece-nos. Com o tempo temos mais consciência do tempo. E também da necessidade mais ou menos velada de nos tornarmos mais intensos nas coisas cultivando a leveza do que devemos ser. Os dias correm a velocidades vertiginosas. As rotinas que se instalam deixam-nos sem fôlego. Ainda bem que temos rotinas. Ainda bem que temos coisas para fazer. Mas, no meio dessas coisas todas temos que viver e aproveitar o sol que nos ilumina e o vento que nos bate no rosto. Corremos para todo o lado. Cansamo-nos muito. Enervamo-nos a toda a hora com qualquer minudência! Tornamo-nos impacientes e ansiosos! Afastamo-nos dessa arte maior que é a paciência. Não conseguimos controlar a nossa intranquilidade de dentro e não nos defendemos da intranquilidade de fora. Há muito que procuro treinar a paciência. Tenho feito grandes progressos apesar de todas as recaídas. Nem sempre conseguimos o equilíbrio nem o controlo das nossas emoções. Somos humanamente arrastados para todos os desequilíbrios das circunstâncias a que estamos amarrados. A paciência é uma grande virtude como sabemos. Mas o seu domínio apenas está ao alcance dos mestres. Todos os outros, onde me incluo, não passam de aprendizes que tendo consciência do estado das coisas (e já não é muito mau) procuram realizar um caminho de aprendizagem, testando limites a cada etapa. A este propósito Charles Chaplin disse o seguinte: “aprendi que vai demorar muito para me transformar na pessoa que quero ser, e devo ter paciência. Mas, aprendi também, que posso ir além dos limites que eu próprio coloquei.” Acompanhando esta manifestação de clarividência julgo que devo continuar a aprender e a testar os meus limites da paciência, tornando-me mais tolerante e tentando construir-me todos os dias. O caminho não é fácil. A tentação da ansiedade e das correrias aprisionadas pelas rotinas baralham todas as contas! Por isso é preciso resistir e procurar forças junto dos muros dos nossos próprios limites. Sim, a tentação é saltar o muro e ver e viver o que está do outro lado. Ou melhor, é derrubá-lo se tivermos força, coragem e determinação para isso! Mas, enquanto seguirmos no caminho da aprendizagem aproveitemos todas as lições que a vida nos dá, começando por cultivar a paciência nos campos mais duros, principalmente onde nem as torgas se dão! É exactamente aí, no meio dos rochedos e de todas as sombras que devemos semear as nossas flores e regá-las todos dias para que cresçam em direcção ao sol. Seremos felizes nessa jardinagem e nesse cultivar da paciência. Não sei se algum dia podemos alcançar esse domínio que só está ao alcance dos mestres. Mas, entretanto, vamos saboreando a viagem e a paciência que formos conquistando!