Miércoles, 18 de julio de 2018

Temporariamente encerrado para balanço.

“A maturidade permite-nos olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranquilidade e querer com mais doçura.” 

Lya Luft 

Na última semana do ano ou nos primeiros dias do ano novo a maioria das empresas encerra, pelo menos um dia, para balanço. Mais do que um ritual trata-se de uma prática fundamental de análise de desempenho e de trajecto realizado face aos objectivos traçados no início do ano. O balanço é um instrumento contabilístico que reflecte a situação económica e financeira da empresa que, em simultâneo, espelha os seus pontos fortes e fracos. Neste tempo de reflexão e análise as empresas estabelecem comparações diversas e efectuam outras tantas avaliações específicas e de contexto. Desenham o futuro e colocam-no em perspectiva. Traça-se o caminho a seguir no tempo próximo! Na nossa vida também devíamos guardar algum tempo destes dias para efectuarmos o nosso balanço, olhando para trás e, sobretudo, para a frente! Também nos devíamos encerrar temporariamente para balanço! Não para fazermos parte da onda entusiasta, mas também efémera, do calor dos festejos e das designadas resoluções de ano novo que, tantas vezes, não passam de esguichos de ocasião, mas para reflectirmos seriamente e sem dramas sobre o caminho que temos vindo a trilhar. Esse exercício faz-nos bem. Arruma-nos e liberta a carga que está a mais! Reforça-nos para seguirmos em frente e para emendarmos a mão no que for preciso para chegarmos ao nosso destino fazendo uma viagem em alegria e em partilha das coisas boas da vida. E este exercício não deve ser exclusivo da passagem e da mudança de ano! Paulatinamente, devemos guardar tempo para nós. Para falarmos connosco. Para nos ouvirmos! A este propósito Augusto Cury disse que “aprendemos a viajar sobre a imensidão do céu e as profundezas do mar, mas ainda não sabemos viajar para dentro de nós mesmos.” Se aprendermos a fazer isso podemos encontrar muitas surpresas nesta viagem de descoberta à nossa verdadeira intimidade. Temos que nos preparar porque nem tudo será bom! Mas entre coisas boas e más encontraremos sempre a verdade que não nos deixa desviar do caminho. E em confronto com ela vamo-nos conhecendo melhor para, a cada curva da estrada, nos confrontarmos com os nossos valores e todos os nossos desejos que se situam entre o sonho e a realidade. Esse combate é muito interessante! Faz-nos crescer e amadurecer. Faz-nos mais fortes mesmo no meio de todas as nossas fragilidades. Aí, nessa geografia intimista, aprendemos também a estar mais abertos e disponíveis para receber toda a energia que fluí à nossa volta e até para discordarmos de nós! Nesse tempo de diálogo sem horas contadas modelamos a nossa visão do espaço que nos rodeia em conformidade com as coisas que acontecem e não o seu contrário como fazemos tantas vezes e de forma quase inconsciente. Há mais caminhos para trilhar para além das nossas ideias, valores e dos juízos que formamos sobre as coisas que vão acontecendo no caminho. Não há uma história. Há muitas! E todas interessam! Olhar pela janela desta perspectiva pode ser um sinal de maturidade ou não. Não tenho verdades insofismáveis sobre essa condição. Mas como disse Lya Luft “ a maturidade permite-nos olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranquilidade e querer com mais doçura.” É também por isso que o tempo de escuta da nossa interioridade nos permite receber mais luz para vermos melhor o caminho da nossa vida, usando a gratidão, mesmo nos desafios mais intensos e nas zonas de maior turbulência, como “mecanismo de locomoção.” Se aceitarmos e seguimos com doçura e gratidão elevamo-nos todos os dias, não no sentido de chegarmos mais alto mas de nos tornarmos mais leves e felizes. Saibamos encontrar o nosso espaço para nos encerrarmos temporariamente, para aprendermos connosco o caminho da felicidade.