Miércoles, 22 de noviembre de 2017

As revelações do silêncio.

“É fácil trocar palavras, difícil é interpretar silêncios.”  Fernando Pessoa

Gosto do silêncio. Sempre gostei. Não gosto de estar sempre em silêncio. Mas, de vez em quando, o silêncio toma conta de mim e organiza o meu cosmos interior. É nesses momentos que me escuto deixando fruir a voz da essência das minhas palavras. Albert Einstein dizia que pensava noventa e nove vezes e nada descobria, depois deixava de pensar e mergulhava em profundo silêncio; era então que a verdade se revelava. Nem todos sabem mergulhar no silêncio para descobrirem todas as verdades que precisamos de encontrar. O tempo de hoje é demasiado barulhento, confuso, intranquilo e agitado. No meio do alvoroço fazemos muitas perguntas mas não encontramos respostas porque há demasiado ruído à nossa volta. Por vezes falamos muito mas não dizemos nada e, sobretudo, não nos conseguimos fazer ouvir e muito menos entender. Trocamos palavras mas não apreendemos os seus significados. Não descodificamos a mensagem. Nem sabemos se as palavras levam mensagens e conteúdos ou se elam fazem apenas parte do imenso ruído que preenche a nossa vida. Como dizia Fernando Pessoa, “é fácil trocar palavras, difícil é interpretar os silêncios.” E os silêncios são precisos. Revelam-nos coisas. Revelam-nos verdades! Às vezes precisamos mergulhar no silêncio para que ele nos revele a linguagem da nossa alma que fala sempre através da palavra não dita. A sabedoria que o silêncio nos dá encaminha-nos para respostas verdadeiras e para a apreensão do verdadeiro “eu”, sem dissimulações ou falsidades. O silêncio é quase sempre o diálogo mais interessante para termos connosco. É um acto de coragem. Significa que não fugimos de nós e também que nos queremos confrontar com o silêncio que nos diz tudo. Às vezes é assustador! Mas no nosso caminho temos que saber enfrentar todos os nossos medos para encontramos todas as saídas para os nossos problemas. Muitos de nós preferem seguir em frente sem pensar em quase nada. Como o silêncio é, por vezes, ensurdecedor preferem a companhia do ruído para evitarem o confronto com essa coisa terrível que é o acto de pensar. Há muita coisa na nossa vida que acontece através do silêncio. Não pensamos muito nisso. Não sentimos isso. O silêncio é elegante, não se manifesta. É preciso alguma sensibilidade para o sentir. Nem todos a têm. Nem todos a procuram. Temos muito que aprender sobre a riqueza e profundidade do silêncio. O silêncio não é a ausência de som. Aliás, o som do silêncio é uma coisa tão poderosa que cada um de nós a sente à sua maneira. Uns, por andarem tão distraídos com as ilusões de um tempo gelatinoso não conseguem escutar-se para, pelo menos, perceberem que caminho escolher em função da vontade interior. Seguem em frente, na maioria dos casos são arrastados pelos outros e pelas falsas promessas de uma sociedade de luzes e brilhantes mas com pés de barro. Podemos convocar o silêncio desligando os amplificadores do ruído para, simplesmente, nos deitarmos na relva de um prado verdejante e escutarmos o canto das aves e a melodia que o vento produz ao soprar acordes nas folhas das árvores. Estamos em silêncio mas com sons e sonoridades que nos embalam para dentro de nós. Nessa quietude conseguimos pensar e tomar decisões. Ouvimo-nos. Sentimo-nos. Não conseguimos resolver tudo nem fazer todas as escolhas. Mas no meio do silêncio aprendemos a escutar a sua bela sonoridade e, pelo menos, sabemos os caminhos não queremos cruzar. O silêncio é sabedoria. Saibamos seguir o seu conselho. Saibamos interpretar todos os silêncios na esperança de encontramos algumas revelações.