Viernes, 15 de diciembre de 2017

NO RESIGNACIÓN: Palavras contra a violência sobre as mulheres.

“Cuando sepas mandar al orgulloso. Cuando sepas querer a quien te odia. Cuando guardes al fuerte las espaldas. Entonces será tuya la victoria.” Carmen Silva

Na semana passada (25 de Novembro) celebrou-se o dia internacional para a eliminação da violência contra as mulheres. Foi um dia marcado pela realização de múltiplas iniciativas e chamadas de atenção para este flagelo social. A comunicação social deu grande cobertura mediática às acções realizadas nesta data. Este dia, celebrado em todo o mundo, tem o objectivo de sensibilizar e envolver o maior número de cidadãos nesta grande causa, cumprindo-se um dever cívico e uma exigência ética. Esta é e será uma longa batalha que será muito dura de travar. Todos não somos demais para engrossar as suas fileiras deste exército cívico, homens e mulheres, todos os juntos por uma causa. As estatísticas sobre esta verdadeira “chaga social”, mesmo nas sociedades ditas mais progressistas e modernas, são assustadoras. A violência contra as mulheres é uma verdadeira ignomínia, uma indignidade e, sem dúvida, uma cobardia gigantesca que é preciso denunciar e combater. É por isso que o poeta Alfredo Pérez Alencart está (outra vez) de parabéns por ter reunido numa Antologia notável (que contou com o apoio do Ayuntamiento de Salamanca) palavras de todo o mundo contra a violência sobre as mulheres. A palavra é uma arma poderosa. Principalmente quando ela rompe o silêncio e denuncia todos os que se escondem atrás das paredes de uma casa, tantas vezes transformada em prisão intransponível e espaço de tortura sem fim. Esta antologia que congrega a palavra dos poetas tem, precisamente, essa grande missão como nos diz o poeta Alfredo Pérez Alencart: “romper el silencio; romperlo desde la família, desde la escuela, desde los médios de comunicación” porque “conmueve saber de otra y otra muerte (luto enorme, lágrima donde se cuelga media humanidad).”  Na semana passada falou-se muito deste tema. Mas, e nesta semana? E nas seguintes? E quantas mortes infelizmente não irão acontecer até que num outro ano, num outro mês, num outro dia se celebre, de novo, esta data relevante? Quantas lágrimas não serão vertidas e quanto sofrimento não será calado? É também por isso que não nos devemos resignar. A palavra continuada desafiará sempre todos os silêncios. O poema “el trueno” de Margalit Matitiahu (Irsrael) conta-nos a sofrimento de uma mulher: “sus ojos saltaron com dolor, / Mirando al que era su amor / Menospreciando su cuerpo, / Arrebatando su alma.” O poema, forte e intenso, acaba assim: “En sus ojos reina el temor / En su alma el grito exclama, / Porque? Porque? Porque? / Quien le dará una Palma?” Sim, essa é a grande pergunta que se deve fazer sempre: porquê? A palavra, esta palavra dos 136 poetas de 35 países que Alfredo Pérez Alencart juntou nesta Antologia será uma plataforma de libertação de todas as mulheres que sofrem no silêncio e também um torpedo lançado no horizonte que abrirá fendas nos espaços das impunidades toleradas. Construir e fortalecer a democracia é também acabar, de vez, com as assimétricas relações de poder entre homens e mulheres para que a igualdade de género seja um reflexo de uma comunidade mais justa e consciente dos valores da liberdade e da igualdade. A palavra romperá todos os silêncios e procurará confortar o “desespero” e as “lágrimas infinitas, bajo un cielo de rabia, “ para que as mulheres que sofrem com esta violência ignóbil possam, como nos conta o poema de Jesús Fonseca (Espanha),  “salir / de este abismo atroz y regresar / al manantial compartido del vivir  / y del sol y de la luz; de la alegría / limpia de los senos rebosantes de / vida y más vida y las lentas caricias, / com su frescor, al rojo vivo del / amor, lejos, muy lejos de todo / lo que arrodilla, aplastra y mata.” Este é um tempo de todos continuarmos a caminhada apesar do muito caminho andado até aqui. Muitos progressos foram feitos. A legislação é mais apertada, mais eficaz. A tolerância para com os agressores e os muros de silêncio diminuíram. A comunidade está mais consciente. A denúncia é mais activa. Comemoramos, cada vez com mais destaque e envolvimento, o dia internacional para a eliminação da violência contra as mulheres. Avançamos muito, mas não chega! Não chega porque a agressão continuar a existir…, continuam as mortes, o sofrimento e tantas vezes o silêncio quase intransponível. Temos que continuar para devolver a esperança a uma sociedade mais igual e mais comprometida com a harmonia. É também por isso que esta magnífica Antologia poética (ilustrada magistralmente por Miguel Elías), lançada na semana passada na cidade das “pedras douradas” (Salamanca) é como um acorde de uma guitarra que ecoará sempre no mais profundo silêncio para dizer não à violência e à “No Resignación.”