Domingo, 17 de diciembre de 2017

A importância da pausa na nossa vida.

“Precisamos dar um sentido humano às nossas construções. E, quando o amor ao dinheiro, ao sucesso, nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausas para olhar os lírios do campo e as aves do céu”.  Érico Veríssimo

A nossa vida acontece a correr. É tudo tão rápido! Os tempos que vivemos são vertiginosos. Com as novas tecnologias da informação e comunicação fazemos mais coisas em simultâneo e com maior rapidez, eficiência e eficácia. Por isso, devíamos ter mais tempo livre para reflectirmos sobre a causa das coisas e, fundamentalmente, sobre a nossa própria existência. Mas, não temos esse tempo! Não queremos ter esse tempo! Sujeitamo-nos a uma escravidão auto-imposta porque queremos ser competitivos a todo o instante e em todo o lado! As novas tecnologias da informação e comunicação que apesar de serem fundamentais para o nosso desenvolvimento acabam por amplificar a nossa escravidão e dependência. As mudanças são constantes e não temos tempo para reflectir sobre elas. As coisas acontecem e nós procuramos dar respostas por impulso e por instinto em conformidade com as competências que fomos adquirindo neste ambiente frenético. Fazemos e pronto! Queremos sempre fazer mais! Somos estimulados a fazer num quadro que mais parece uma fábrica de respostas instantâneas para tudo e para todos. Neste sentido, vivemos numa ansiedade permanente. Não vivemos o presente porque estamos a realizar coisas num momento e a pensar fazer outras coisas logo a seguir num futuro tão próximo que se mistura com o presente, com o tempo actual. Assim, estamos sempre em trânsito. Nem somos presente nem futuro. Estamos algures entre os dois! Não paramos para pensar. Não fazemos uma pausa! E “a vida precisa de pausas” como nos disse Drummond de Andrade. Há momentos em que devemos fazer um intervalo para contemplarmos o mundo à nossa volta, respirar fundo, e carregar baterias para novas etapas do caminho. Neste mundo demasiado acelerado precisamos de coragem para realizarmos todos as pausas necessárias para depois seguirmos o caminho. O sentido da viagem remete-nos para o tempo de fazermos sem parar tudo o que nos é exigido. Ficamos exaustos mas continuamos no mesmo registo. Fazemos e voltamos a fazer! Fazemos sem pensar e quase sempre numa perspectiva reactiva. É preciso que o discurso mude para mudarmos as circunstâncias. Devemos assumir a vivência de cada tempo como ele merece. Se estamos no presente não podemos viver no futuro ou no passado. Cada tempo exige de nós uma atenção particular. E nós devemos dar-nos, por inteiro, a esse importante compromisso. Mas, para isso, precisamos de fazer pausas na nossa vida, contemplar a natureza, ouvir o canto dos pássaros, abraçar as ondas do mar e, sobretudo, encontrarmos tempo para nos visitarmos. Sim, devemos marcar encontro connosco para nos conhecermos melhor, para reflectirmos sobre o caminho que queremos seguir na nossa vida. Temos opções à frente, caminhos distintos e diversas direcções. Devemos optar com base numa reflexão profunda e ponderada. Não devemos apostar no impulso a toda a hora. Devemos isolar-nos do ruído de todos os dias para escutarmos o nosso coração e para deixarmos emergir a nossa verdadeira essência. Quando andamos de um lado para o outro, ansiosos e nervosos, com isto e com aquilo, mal conseguimos ver as coisas e seus problemas porque a poeira é muito densa. Basta pararmos um pouco e deixarmos a poeira assentar para começarmos a ver melhor o que está à nossa frente. Podemos não conseguir resolver nada num primeiro momento. Mas conseguimos identificar melhor os problemas e vislumbrar melhor todos os seus contornos. Depois tudo será mais fácil mesmo que questões evidenciem uma grande complexidade. Fazer uma pausa é decantar a poeira que nos impede de ver. Érico Veríssimo disse-nos que “precisamos dar um sentido humano às nossas construções. E, quando o amor ao dinheiro, ao sucesso, nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausas para olhar os lírios do campo e as aves do céu”. Todos merecemos uma pausa! Todos devemos fazer as pausas necessárias para depois continuarmos o caminho, com mais força e vigor e, essencialmente, com uma visão mais apurada e todos os sentidos mais despertos. Este é o tempo da pausa, merecida e, acima de tudo, necessária! Este é o tempo de contemplarmos todas as manhãs e também o sol que se põe no horizonte!