Domingo, 17 de diciembre de 2017

O equilíbrio e a bicicleta de Einstein

“Viver é como andar de bicicleta: é preciso estar em constante movimento para manter o equilíbrio”,

Albert Einstein

O equilíbrio é uma componente muito importante na nossa vida. Não o podemos perder apesar das dificuldades do caminho. Cada um de nós encontra o equilíbrio à sua maneira. Mas, às vezes, as tempestades são tão fortes que temos muita dificuldade em mantê-lo. Quando os ventos são demasiado violentos e frios devemos procurar no nosso interior um abrigo que nos proteja para depois seguirmos viagem. Sem equilíbrio a nossa vida desorganiza-se, perde-se, e nós sofremos muito com isso! Albert Einstein disse-nos que “viver é como andar de bicicleta: é preciso estar em constante movimento para manter o equilíbrio”. Muitos estão em constante movimento porém perdem facilmente o equilíbrio. É tudo uma questão de posicionamento em relação ao mundo que nos rodeia, às pessoas que amamos e à natureza que nos envolve e abraça. O “caminho do meio”, como nos ensina a filosofia oriental, é como a “bicicleta” de Einstein na busca permanente do equilíbrio para podermos seguir em frente e chegarmos ao destino desejado. Às vezes caímos da bicicleta e outras afastamo-nos do caminho do meio. Mas, se cairmos temos que ter a força necessária para nos levantarmos e para voltarmos a centrar o nosso equilíbrio no caminho do meio, entre a razão e o coração! Em determinados dias o horizonte está carregado de nuvens negras. Noutros é o sol que ilumina os nossos olhos e nos aquece a alma. Fazemos o caminho da nossa vida entre um cenário e outro, retirando e contornando as pedras que vamos encontrando, mas também contemplando a beleza da flores e as melodias das aves que vão surgindo à nossa passagem. Em dias cinzentos mergulhamos mais fundo e esquecemo-nos com facilidade dos tempos bons e tranquilos das tardes à beira mar, quando as ondas nos chamavam a atenção para o imenso espelho azul à nossa frente! Nesses momentos cinzentos a arte de viver pode consistir apenas no delicado equilíbrio entre desistir e suportar. Não podemos desistir e devemos apenas suportar até aos limites da fronteira do nosso equilíbrio emocional. Mesmo aí, lá está, de novo, o equilíbrio a chamar a nossa atenção e a dizer-nos que devemos controlar os nossos sentimentos para não perdermos a direcção. Fazer isso não é tarefa fácil, nomeadamente quando o vento sopra mais forte! Mas é por aí que devemos andar, principalmente nos dias de tempestade mais agreste! A força que vem do nosso interior, associada ao caminho do meio que decidimos fazer, superará todos os obstáculos e subirá todos os degraus da determinação. Por outro lado, mesmo em dias de bonança, devemos sair do conforto porque, como nos diz Kierkegaard, “ousar é perder o equilíbrio momentaneamente. Não ousar é perder-se”. Às vezes também devemos procurar o desequilíbrio para nos deixarmos levar na aventura do desconhecido e da descoberta para, com outro ângulo, conseguirmos ver coisas que não vemos e sentirmos coisas que não sentimos. Às vezes temos que nos perder para nos voltarmos a encontrar! Nada na vida é definitivo para além da certeza da nossa morte a partir do dia que vimos a luz do dia. Não sabemos quanto tempo dura o caminho. Sabemos apenas que ele é finito. Por isso, temos que aproveitar a viagem da melhor maneira possível, apesar de todas as tempestades! Também por isso entendo que Paulo Coelho tem razão quando nos diz para fingirmos a loucura mantendo, ao mesmo tempo, o equilíbrio. Há sempre viagens que precisamos fazer para nos conhecermos melhor! Há obstáculos que não precisam de ser verdadeiramente removidos para seguirmos caminho. Basta que consigamos um equilíbrio, inclinando alguns tabuleiros para contornarmos as pedras! Às vezes o esforço de remoção de obstáculos é titânico e sem resultados. Por isso, não devemos dedicar-lhe tanta atenção ou gastar tantas energias que nos fazem falta para outras coisas. Precisamos apenas de nos focar naquilo que é essencial. E o que é essencial deve ser merecedor da nossa atenção e de toda a nossa energia. Não precisamos de procurar longe o que está perto. E a chave de tudo não tem nenhum segredo. Está dentro de nós! Basta que a saibamos procurar para abrirmos todas as portas do nosso equilíbrio como no movimento da bicicleta de Einstein!