Jueves, 27 de enero de 2022
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Numancia
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Numancia

OPINIóN
Actualizado 15/08/2021
Marco A. Hierro

Numancia  | Imagen 1

Portugal e Espanha estão entrelaçados na história. A linhas do caminho ibérico foram escritas durante séculos numa teia de palavras emaranhadas entre o amor e a desconfiança. O grande Gil Vicente dizia, com sentido assertivo, que " a portugueses e espanhóis Deus não os quer ver juntos." Na verdade, e para além das guerras e escaramuças que fazem parte dos quadros da história que nos trouxeram até aqui, os habitantes da Ibéria sempre souberam abraçar-se em fraternidade quando as circunstâncias falaram mais alto que a rivalidade histórica. Há dias, por acaso, tropecei na belíssima história do Numancia, um dos navios mais emblemáticos da armada espanhola que naufragou junto à praia de Sesimbra (Portugal) a 16 de Dezembro de 1916. A história do Numancia é muito interessante e vale a pena seguir-lhe o rasto. Porém nestas curta narrativa de que vos dou conta quero destacar a valentia e fraternidade das gentes de Sesimbra que, arriscando a própria vida, se fizeram às ondas que, sob violenta tempestade invernal, batiam com força no casco do Numancia, o primeiro navio couraçado a dar a volta ao mundo. A bordo permaneciam 32 tripulantes que precisavam de ser resgatados e os homens do mar não regatearam esforços para fazerem o que era mais importante: salvar as vidas dos irmãos e companheiros das jornadas das águas salgadas deste mundo! A operação, tão difícil quanto engenhosa, foi um um sucesso. Todos os tripulantes foram salvos. O Numancia não teve igual sorte. Foi ao fundo deixando a tripulação sem nada e sem trabalho. A maioria regressou a Espanha. Mas contam-me que pelo menos três tripulantes ficaram por Sesimbra e lá constituíram família. Naquela praia da costa azul lusitana há descendentes numantinos que cruzaram o sangue ibérico construindo novas vidas junto ao mar que não conhece fronteiras, pelo menos nos afectos, no amor e na fraternidade. Há dias, a memória daquele naufrágio foi reavivada com a presença de autoridades portuguesas e espanholas que descerraram, no local, uma placa comemorativa daquele terrível acontecimento. Os restos do Numancia permanecem no fundo do mar, servindo de ancoradouro a uma multiplicidade de espécies marinhas. Mas a bondade dos pescadores e a gratidão de todos os que valorizam a coragem e a fraternidade fluem por aí sob a brisa que o mar empurra até aos nossos corações. Esta gente valente é, nem a propósito, mais um farol que ilumina o caminho, do mar e da terra. Nas redes de cumplicidade dos homens do mar sai até à areia da praia um exemplo maior para todos nós. Saibamos romper todas as fronteiras que existem para deixarmos circular livremente o amor que nos une.

Numancia  | Imagen 1

Portugal e Espanha estão entrelaçados na história. A linhas do caminho ibérico foram escritas durante séculos numa teia de palavras emaranhadas entre o amor e a desconfiança. O grande Gil Vicente dizia, com sentido assertivo, que " a portugueses e espanhóis Deus não os quer ver juntos." Na verdade, e para além das guerras e escaramuças que fazem parte dos quadros da história que nos trouxeram até aqui, os habitantes da Ibéria sempre souberam abraçar-se em fraternidade quando as circunstâncias falaram mais alto que a rivalidade histórica. Há dias, por acaso, tropecei na belíssima história do Numancia, um dos navios mais emblemáticos da armada espanhola que naufragou junto à praia de Sesimbra (Portugal) a 16 de Dezembro de 1916. A história do Numancia é muito interessante e vale a pena seguir-lhe o rasto. Porém nestas curta narrativa de que vos dou conta quero destacar a valentia e fraternidade das gentes de Sesimbra que, arriscando a própria vida, se fizeram às ondas que, sob violenta tempestade invernal, batiam com força no casco do Numancia, o primeiro navio couraçado a dar a volta ao mundo. A bordo permaneciam 32 tripulantes que precisavam de ser resgatados e os homens do mar não regatearam esforços para fazerem o que era mais importante: salvar as vidas dos irmãos e companheiros das jornadas das águas salgadas deste mundo! A operação, tão difícil quanto engenhosa, foi um um sucesso. Todos os tripulantes foram salvos. O Numancia não teve igual sorte. Foi ao fundo deixando a tripulação sem nada e sem trabalho. A maioria regressou a Espanha. Mas contam-me que pelo menos três tripulantes ficaram por Sesimbra e lá constituíram família. Naquela praia da costa azul lusitana há descendentes numantinos que cruzaram o sangue ibérico construindo novas vidas junto ao mar que não conhece fronteiras, pelo menos nos afectos, no amor e na fraternidade. Há dias, a memória daquele naufrágio foi reavivada com a presença de autoridades portuguesas e espanholas que descerraram, no local, uma placa comemorativa daquele terrível acontecimento. Os restos do Numancia permanecem no fundo do mar, servindo de ancoradouro a uma multiplicidade de espécies marinhas. Mas a bondade dos pescadores e a gratidão de todos os que valorizam a coragem e a fraternidade fluem por aí sob a brisa que o mar empurra até aos nossos corações. Esta gente valente é, nem a propósito, mais um farol que ilumina o caminho, do mar e da terra. Nas redes de cumplicidade dos homens do mar sai até à areia da praia um exemplo maior para todos nós. Saibamos romper todas as fronteiras que existem para deixarmos circular livremente o amor que nos une.

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