A ditadura do impossível

Desde muito cedo somos confrontados com a questão do impossível. Dizem-nos que isto e aquilo e mais não sei o quê são impossíveis de realizar. Colocam-nos barreiras de intransponibilidades para não ousarmos sequer sonhar com a realização do impossível. Balizam as nossas geografias. Impoēm-nos limites e fazem questão de, pedagogicamente, nos dizerem, vezes sem conta, que o impossível existe e está ali à nossa frente, ao longo de toda a vida, apenas para o contemplarmos sem nunca o podermos transpor. Sem grande esforço percebemos que a ditadura do impossível está enraizada nas nossas vidas. Podemos imaginar e fazer coisas dentro do que é expectável e possível. E não nos podemos esquecer do que nos ensinaram desde sempre: o impossível significa que não o podemos realizar. Enquadrado neste propósito medito nas palavras do poeta francês Jean Cocteau: “não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez.”  Considerando que a nossa viagem é tão curta devemos, ao menos, não deixar de tentar tudo o que a nossa imaginação alcança, muito para lá da fronteira do impossível, para realizarmos o que o nosso coração manda. É precisa ousar e tentar. Sonhar, sempre! Fazer, fazer, fazer mesmo que seja necessário taparmos os ouvidos para  não escutarmos as banalidades costumeiras. É preciso resistir à ditadura do impossível. Ou melhor, é preciso derrubá-la para que aconteça a bela madrugada de todas as possibilidades. Por vezes o impossível está apenas na nossa cabeça depois de tanto nos martelarem com esta palavra. Temos que a tirar daí se quisermos voar para todos os lugares onde a felicidade nos espera. Se ficarmos colados ao chão, amarrados a todas as impossibilidades que nos balizaram, nunca provaremos o doce sabor da liberdade de sermos nós por inteiro, sem fronteiras que nos barrem o caminho. O impossível existe para ser destruído! Mas para que isso aconteça temos que tentar. Tentar sempre até ao limite dos nossos suspiros. Se quisermos alcançar a felicidade essa tem que ser a nossa demanda. Podemos não conseguir. Mas morreremos a tentar. E esse esforço permanente será a seiva que nos alimentará no caminho. E nesse caminho do coração somos nós que vamos ao leme. Somos nós que definimos a direcção. Somos nós que ajustamos as velas para o destino que queremos ir e não para aquele que nunca nos deixaram ir por julgarem não existir. Este é o tempo de largarmos o conforto do cais para seguirmos o nosso destino. Vamos a isso que se faz tarde.