O caminho breve

 

O nosso caminho é breve. Aproveitemo-lo enquanto podemos. A juventude dá-nos sempre a saborosa sensação da imortalidade. Os anos que passam em cima do caminho vão afinando esta perspectiva fazendo-nos perceber, paulatinamente, a nossa imensa fragilidade. Quando à nossa volta partem familiares e amigos, tantas vezes em circunstâncias absolutamente inesperadas, somos confrontados com a nossa constante finitude. A vida, como digo e escrevo tantas vezes, corre demasiado depressa. E avança tão rápido que, por vezes, não nos damos conta disso. E a morte, essa sombra terrível, paira sobre nós de forma indelével e silenciosa. Porém, se conseguirmos balizar esta fotografia da realidade estamos em condições de ganhar novas geografias da esperança, da alegria e da liberdade e vivermos com mais intensidade. E para que isso aconteça não precisamos de grandes coisas ou de sonharmos com a realização de feitos memoráveis. Precisamos apenas que a simplicidade das coisas simples alcance a sua grandeza com naturalidade. É justamente o somatório das coisas simples que dá corpo a uma vida que pinta o caminho de todas as cores para celebrar o sol da manhã e o aroma que sai de uma bela chávena de café. Observo o chão que piso e vejo gente demasiado agitada com coisas de nada, com minudências que não semeiam atitudes positivas. Há deslumbramentos bacocos e egos exacerbados que correm para lugar nenhum. Não somos perfeitos. Somos herdeiros da humana condição que nos amarra aos sentimentos e às coisas do coração. Aí nã. nessa imensa circulatura, não há instrumentos aferidores das linhas médias de actuação. Cada um sabe de si. Assim se constrói a individualidade que, no caminho, formará o colectivo. É neste encontro entre nós e os outros que devemos relevar o que verdadeiramente importa, celebrando as coisas boas como se não houvesse amanhã. Não podemos perder tempo nem nos podemos distrair com o acessório. Temos que nos entregar à vida com o coração todo e abraçar os momentos, promovendo a sua qualidade. Se caminharmos com amor e elegância contaremos os dias mais devagar, diminuindo a velocidade dos ponteiros do relógio. A felicidade é o que importa. Cultivemo-la todos os dias. O caminho é breve mas pode ser alongado com o coração. Vamos a isso porque todos merecemos que a passagem seja intensa e feliz.