Celebrar as pequenas conquistas

Não temos o hábito de festejar as pequenas conquistas nem os ténues avanços que vamos alcançando com o nosso esforço. Julgamos que tudo isso é rotina e que não fazemos mais do que a nossa obrigação. Esperamos pelas grandes conquistas para celebrar. Imaginamo-nos nesse filme do futuro onde acontecem grandes vitórias que exigem celebrações à altura. Guardamos a exteriorização dos nossos sentimentos para um dia que chegue e seja merecedor da nossa celebração. Tudo em grande, naturalmente. Entretanto vamos vivendo os nossos dias como podemos, suportando a nossa pequenez. Fazemos o aue temos que fazer e ao mesmo tempo vamos sonhando com coisas grandes para celebrar. Guardamos um vinho para esse dia. Uma camisa, um fato ou um outro qualquer apontamento que classificamos de especial. Colocamos de lado adereços para o grande dia. Porém os dias envelhecem-nos e aos adereços também, com excepção para o vinho que vai ficando melhor com o passar do tempo. Num determinado momento percebemos que o dia grande não chegará. O filme do futuro vai acontecendo sem termos nada para celebrar. É então que olhamos para trás e percebemos tudo o que desperdiçamos por não termos celebrado as pequenas conquistas que foram fazendo a diferença nos dias do caminho. No tempo derradeiro conseguimos desfiar memórias de pequenas conquistas que deviam ter sido celebradas e não foram. Nesse momento não podemos fazer mais nada sobre o tempo que passou. Mas podemos, com toda a certeza, fazer mais pelo presente, saboreado cada momento como se fosse o último e festejando cada passa que dermos em relação ao futuro como se não existisse amanhã . Se assim fizermos estaremos a resgatar-nos de nós e de todos os condicionamentos a que nos fomos aprisionando. Viver é libertar amarras, superar obstáculos e celebrar a luz da estrada que percorremos na viagem. Viver é sermos nós por inteiro no momento certo que não espera por outro. A grandeza é a expressão das coisas simples que nos fazem felizes a cada instante. Celebrar é uma obrigação que devemos cumprir se desejarmos construir pontes para a felicidade.