Lunes, 28 de septiembre de 2020

O caminho entre a perfeição e a felicidade

Quando estamos sozinhos fazemo-nos acompanhar de múltiplas plataformas de informação e comunicação. Ou seja a nossa solidão é apenas aparente. Todos precisamos de encontros connosco verdadeiramente libertos das tecnologias que nos prendem a toda a hora e nos condicionam o caminho. Sentados em frente ao ecrã somos constantemente bombardeados com imagens do belo, da estética e da perfeição. Observamos famílias perfeitas, velhos que parecem jovens e muitos lugares comuns da perfeição. No Natal alcançamos o pico desta curva insaciável de lugares e pessoas perfeitas através do visionamento de mesas fartas repletas de alegria e de gente que promove harmonia enquanto as luzes da festa piscam de forma insistente no nosso cérebro. Somos levados na onda de aparente entusiasmo e também querermos ser assim e, sobretudo, desejamos coisas assim. Mas, como sabemos, as imagens da perfeição estão muito longe da realidade que vivemos e entre uma coisa é outra existe um mar gigantesco de frustrações. Não sendo perfeito nada tenho contra a perfeição. Antes pelo contrário. Apenas  entendo que não podemos correr atrás dela esquecendo-nos do essencial: a nossa felicidade. Sim, precisamos de encontros connosco que aconteçam em liberdade deixando os aparelhos que nos bombardeiam a todo o instante à porta do nosso abrigo. No silêncio desse encontro intimista com o nosso ser interior e despidos das influências externas que sempre nos condicionam devemos procurar a luz da nossa felicidade. Devemos questionar-nos sobre o que nos confere paz, tranquilidade e amor. As perguntas que nós fizermos encontrarão respostas mais simples do que alguma vez imaginámos. Aí nesse lugar tranquilo das nossas entranhas não procuraremos a perfeição mas antes a felicidade que deve ser desenhado todos os dias apesar das nossas frustrações. Cada um de nós tem a sua medida da felicidade e é muito importante que a cumpramos porque o caminho acontece demasiado depressa. Se marcarmos, com regularidade, encontros connosco não ficaremos imunes às consequências dos constantes bombardeamentos de imagens da perfeição mas, seguramente, ficaremos mais habilitados para decidirmos sempre pela nossa felicidade. Neste sentido há encontros que não podem ser adiados para que os caminhos que importam sejam percorridos. A perfeição está muito perto do inatingível. A felicidade está ao alcance do nosso coração. Cumpramos a maior demanda das nossas vidas abraçando a felicidade sempre que pudermos.