Domingo, 8 de diciembre de 2019

Quando as coisas são difíceis...

O nosso caminho nunca segue em linha recta. Está repleto de altos e baixos… de veredas sinuosas e de muitos obstáculos para superar. É precisamente esse exercício de superação que funda e molda a nossa personalidade. É nesse limiar de esforço que nos construímos. As coisas boas que nos acontecem são imagens de felicidade. São tempos e espaços que servem para recarregarmos as baterias. Os dias de sol dão descanso ao guerreiro e promovem estímulos para o resto da caminhada. Quando as coisas correm bem devemos saboreá-las de forma demorada e sugar a sua essência até à última gota. Sabemos que esses momentos não duram para sempre. A sua natureza efémera diz-nos para aproveitarmos tudo o que pudermos. Nem sempre o fazemos. Às vezes andamos tão distraídos com o caminho que segue em ritmo de felicidade que deixamos de o aproveitar na sua máxima dimensão. As coisas boas devem ser vividas com toda a intensidade e merecimento, sem complexos de qualquer espécie. Já as coisas más, mesmo que não queiramos, exigem-nos tudo, o que podemos e não podemos. Nos momentos em que precisamos de superar obstáculos vamos buscar forças que julgávamos não possuir. Encontramos soluções nunca antes imaginadas para as urgências do tempo presente. Quando nos sentimos encostados às cordas só temos que reagir ou desistir. E como desistir nunca pode ser uma opção, vamos à luta e enfrentamos os demónios que temos à nossa frente e também os outros, os que vivem em nós na nossa profunda intimidade. Quando as coisas correm mal temos que nos lançar ao caminho de forma ainda mais determinada e puxar por todo o nosso “querer”, como nos disse Alexandre Herculano, para vencermos os obstáculos que precisam de ser vencidos. Nesse esforço, tantas vezes executado no limiar das impossibilidades e de todas as forças possíveis e imaginárias, superamo-nos de forma absolutamente surpreendente. Aí, nessa dança tantas vezes ofegante e desenfreada, sentimo-nos perdidos, hesitantes e intranquilos. Nesses momentos não faltarão velhos do restelo e aves agoirentas que demonizarão as nossas acções. Temos que ser fortes para afastarmos os vapores bafientos e podres para a esperança que é nossa. Sabemos que as nuvens negras aparecem sempre para nos toldar a visão do caminho e perturbar os próximos passos que serão sempre ténues, mas seguros, se verdadeiramente quisermos avançar apesar das tormentas. Para além disso, depositamos esperança no sol que estará para lá da montanha e, sobretudo, e acreditaremos na nossa força e coragem para superamos o que deve ser superado.  Quando, por fim, conseguimos dobrar o cabo das tormentas damos graças por não termos desistido de nós e agradecemos àqueles que, apesar das suas próprias dificuldades, estiveram sempre connosco sofrendo com as nossas amarguras. Quando, por fim, avistamos o sol devemos celebrar a vida até ao limite da próxima tormenta para a superarmos de novo e ainda com mais determinação. No fim da viagem …quando chegarmos ao limite dos limites ….estaremos prontos para olhar fixamente para o espelho sem nos arrependermos de termos vivido!