Domingo, 18 de agosto de 2019

Aguentar firme!

“Ao fim do dia, podemos aguentar mais do que pensamos que podemos”. Frida Kahlo

Quando o caminho não é fácil temos que ser duros, resistentes e aguentar firme. Isso também não é fácil. Mas como nos disse a pintora mexicana Frida Kahlo: “ao fim do dia, podemos aguentar mais do que pensamos que podemos”. Talvez seja por isso que, às vezes, as circunstâncias nos exigem mais do que podemos corresponder em determinado momento. As dificuldades alimentam o nosso caminho e nós também nos alimentamos delas. Transformamo-nos em nós. Tornamo-nos mais duros, mais resistentes e resilientes. Moldamo-nos de uma determinada maneira porque não desistimos. Aguentamos firmes; não sem sacrifício, sem dor e, tantas vezes, em completo desalento. Mas, apesar das dificuldades de contexto, vamos regando as nossas rosas sem nunca perdermos de vista as eternas geografias da esperança que, como uma espécie de seiva, nos alimentam no caminho, principalmente nos tempos de provações. Aprendemos muito com a viagem que nunca corre sob brisas suaves. As tempestades vão abalroando o barco em que seguimos. Mas não voltamos para trás nem desistimos. Aguentemos firme! Seguimos o nosso trajecto com o sorriso estampado no rosto. Não para contrariarmos ou disfarçarmos a nossa indignação ou revolta. Antes pelo contrário, exibimos tranquilidade no rosto aberto que significa que há uma vida para viver, momentos para celebrar e gente para amar. No exacto momento em que lutamos contra as adversidades e aguentamos firme temos sempre beijos, abraços e afectos para dar e receber. Apesar das nuvens negras há sempre raios de sol que iluminam o caminho. Há sempre uma esperança que se constrói entre o desejo e tudo o que fazemos com as nossas mãos, com o nosso esforço e a nossa determinação. À noite, depois de muito remarmos contra as marés, sentimo-nos exaustos. Mas não descansamos. Sabemos que há muito para fazer e muito mais para amar. A vida é assim, um turbilhão de emoções. Passa num instante. E quando o relógio parar de vez não haverá tempo para grandes contabilidades nem para apuramento de saldos disto e daquilo, do que fizemos bem e do que fizemos mal. Esse instante derradeiro não nos dará tempo para nada. Por isso, precisamos agarrar cada dia como se fosse o único que está à nossa disposição. E, ao mesmo tempo, devemos mergulhar na noite para nela depositarmos os nossos sonhos, contando cada estrela, cada constelação e beijando o rosto de quem está sempre connosco, independentemente dos dias bons ou maus que a barca conhece quando navega nas águas do nosso destino. É por todos os que gostam de nós e que amamos que também temos que aguentar firme. Temos que aguentar firme também por nós, pela nossa singularidade, intensidade e dignidade. A vida não seria nada se não provássemos dos cálices da amargura. É bom que saibamos passar por estas provas e provações para não sermos amargos e experimentarmos a doçura dos dias e das noites. A vida, sendo curta, não deve ser desbaratada. É também por ela que devemos aguentar firme disponibilizando o nosso peito para o confronto com todos os seus poderosos elementos. Vamos no caminho para desafiarmos e sermos desafiados. Podemos chegar ou não. Podemos chegar mais cedo do que tarde. Mas não podemos seguir como se nada acontecesse à nossa volta. Não podemos seguir sem tentarmos fazer alguma coisa que nos dê prazer e, sobretudo, que possa fazer a diferença, nem que seja acender uma lanterna numa noite escura para os que seguem os seus destinos possam ver melhor os passos que dão no caminho. Sim, temos que aguentar firme!