Domingo, 18 de agosto de 2019

Qual é o sentido da nossa vida?

“Homem: um ser em busca de significado”, Platão

A vida dos tempos actuais é frenética e absolutamente rotineira. A espuma dos dias amordaça-nos! Quase que não nos deixa respirar. Executamos mil e uma tarefas. Andamos de um lado para o outro num frenesim tremendo. Fazemos coisas. Os dias passam. Cansamo-nos. Ficamos exaustos. Andamos uma semana inteira à espera do fim-de-semana que passa num instante. Voltamos à rotina. Andamos um ano inteiro à espera das férias que passam num instante. Depois voltamos à rotina e ao mesmo de sempre. Entretanto o tempo passa. Envelhecemos. Tornamo-nos mais débeis. Mais fracos. Mais dependentes do sistema e de quem cuide de nós. Olhamos para trás e pensamos no que nunca pensámos. E pensamos muito sobre o que nunca fizemos. No que nunca reflectimos. Depois de muito caminharmos surge o pensamento fatal: qual foi ou é o sentido da nossa vida? Andamos aqui para quê? Neste sentido, perguntamo-nos, legitimamente, que satisfação nos pode dar a nossa viagem terrena se ela é como uma roda que não sai do mesmo lugar, das mesmas rotinas, das mesmas pessoas, das mesmas conversas e das mesmas paisagens? Há quem passe a vida inteira sem se questionar sobre esta condição e também sobre nada. Talvez sejam felizes assim, não sei. Sei apenas que a maioria de nós se confronta com pensamentos deste género ao longo da viagem. Não numa perspectiva filosófica e para estímulo da nossa actividade cerebral. A maioria de nós confronta-se, de vez em quando, com o espelho (que é o nosso pior inimigo), para tentar, em vão, responder ao sentido da nossa vida. E quando isso acontece o saldo nunca é positivo na medida em que desejamos sempre um sentido maior para a realidade que não temos. E também não temos condições para, no imediato, darmos uma resposta satisfatória e automática a esta pergunta tão simples e, ao mesmo tempo, tão perturbadora. Esta questão atravessou séculos e todas as geografias da terra. Construíram-se muitas teorias e escreveram-se muitos compêndios sobre esta matéria. Mas não há uma resposta certa para esta desafiante questão. O sentido da vida diz respeito a cada um de nós. E somos nós que devemos dar significado ao caminho. Somos nós que devemos dar dimensão à viagem, não deixando de reflectir sobre a causa das coisas e de estimular todas as inquietações para além do cumprimento das tarefas que têm de ser cumpridas. O Homem, como nos disse Platão, é “um ser em busca de significado”. E é nessa busca incessante que viajamos para além dos limites da caixa que nos foi imposta. É também por isso que sonhamos com coisas que não existem e com desejos que estão fora do nosso alcance imediato. Sim, há luz no fundo do túnel e nós aqui mergulhados na imensa escuridão. Vamos à procura dela e de todos sonhos sonhados que possam traduzir em realidade o significado da nossa existência. Como sabemos a felicidade não existe. E a infelicidade também não. Existem momentos felizes e outros infelizes. Mas, quando somos questionados sobre o grau da nossa felicidade hesitamos na resposta uma vez que nunca nos encontramos tão felizes quanto gostaríamos. E isso acontece porque, de forma natural, desejamos sempre mais do que temos. E só valorizamos o que temos quando, por alguma circunstância, perdemos o que não valorizámos como devíamos. É também por isso que devemos questionar mais do que apenas executar as rotinas. Devemos questionar-nos. Colocar-nos à prova. Valorizar o que devemos valorizar em cada momento. Isto passa tudo num instante. E para que um dia não tenhamos que olhar para trás e descrevermos o nada que foi a nossa vida, devemos começar a fazer e a viver o que deve ser feito e vivido, sem medos nem hesitações. O sentido das coisas está aí, no meio do túnel escuro das nossas actividades mecânicas, à espera de ser encontrado.