Domingo, 8 de diciembre de 2019

Ama os teus sonhos, mas faz por eles!

Ama os teus sonhos como o teu próximo ou como os sonhos do teu próximo, mas se o teu próximo não tiver sonhos convém mandar o teu próximo para muito longe donde não te possa contaminar . Alice Vieira

Os sonhos são essenciais na nossa vida. Uns tornam-se realidade e outros não. Mas enquanto sonhamos avançamos sempre na direcção de alguma coisa. O sonho de cada um é uma luz no caminho. Sem sonhos não temos esperança! Sem sonhos não somos nada! Por isso, como nos diz Alice Vieira, devemos amar os nossos sonhos como amamos o nosso próximo - “mas se o teu próximo não tiver sonhos / convém mandar o teu próximo para muito longe / donde não te possa contaminar”. O sonho alimenta-nos. Faz-nos viver. Não se trata de sonhar por sonhar, para estimularmos sensações de felicidade montadas nas brisas que passam e que se se desvanecem com os primeiros sinais da nortada! Sonhar é delicioso. Dá-nos prazer, mesmo depois de acordarmos. Porém, o sonho tem que ir além dessa nossa paixão mútua e incondicional. Amamos os nossos sonhos e os nossos sonhos retribuem-nos com amor sem fim! Mas ficam-se pela fronteira da realidade. Sonhamos muito. Mas fazemos muito pouco para concretizar os nossos sonhos. Temos que amar os nossos sonhos e fazer por eles, transpondo os limites do seu reino, fazendo acontecer! Se sonharmos não desistimos das coisas. Não desistimos de nós! Assim, temos sempre caminho pela frente. Temos muitas outras coisas para sonhar. Mas também temos que convocar a determinação de fazer. Não podemos ficar por ali, deliciados com o que podia ser se tudo fosse além do sonho. As coisas não acontecem por acaso. É preciso fazer por elas! É preciso fazer acontecer! E nessas viagens entre o sonho e a realidade há sempre quem nos diga que não podemos fazer e que não temos capacidade para fazer. O “não” é como uma viga estrutural que suporta a muralha da fronteira que separa os reinos do sonho e da realidade. O “não” é como um sinal de stop que nos impede de continuar. É imperativo! É para parar! E no nosso caminho de vida encontramos muitos “stops”, muitos “nãos” e muitos “velhos do restelo” que não nos deixam sonhar e muito menos concretizar os nossos sonhos. É contra eles que temos que lutar. Mas antes disso temos que lutar contra nós, nomeadamente quando tivermos vontade de desistir e de deixar de sonhar. O sonho sonhado é o melhor antídoto contra todos os que nunca olharam para as nuvens sem imaginaram figuras que se movimentam e altos castelos onde moram princesas e príncipes que as defendem dos malvados dragões. A imaginação é uma componente do sonho. Faz parte do nosso desejo e do nosso caminho. É uma mistura intimista. Uma espécie de argamassa que solidifica a dimensão do nosso sonho. Ali, naquele lugar pouco nítido que só existe na nossa cabeça projectamos isto e aquilo, mas depois acordamos para a realidade. Ficamos imóveis junto à fronteira dos sonhos. Não queremos acordar. Porém sabemos que isso não é possível. A realidade serve-nos uma quantidade de “nãos” que nos empurram contra a fortaleza da fronteira. E se não fizermos nada para contrariar essa força demolidora acabamos por ficar eternamente encostados à parede, numa espécie de zona de segurança, alimentada por todos os medos que estão para além do limite de três passos! Mas se quisermos ser felizes temos que correr atrás de todos os nossos sonhos e fazer por eles, transformando-os em realidade, combatendo todas as tiranias do caminho. Não! Definitivamente, não devemos deixar que as contrariedades nos vençam e nos consumam as energias dos sonhos. A luta é o caminho! Para trás não podemos ir porque estamos encostados à parede. Podemos sonhar em sair dali. Mas quando acordarmos do sonho continuaremos ali, encostados à parede. Então, só nos resta lutar pela nossa felicidade, lançando-nos na batalha contra nós e contra todos os que nos barram o caminho para continuarmos a sonhar, lá mais à frente, onde mora a felicidade!