Miércoles, 15 de agosto de 2018

As amizades também têm data de validade!

Podemos ter amigos de sempre e para sempre. Mas nem todos os amigos são de sempre e para sempre. Como em tudo na vida há amizades que começam e acabam. Há amizades de uma vida e há amizades de três ou quatro dias. Há amizades de um tempo longo e há amizades de um instante e de circunstâncias específicas. Todas têm a sua importância e também lugar no coração de cada um de nós. Há amizades que acabam porque existiram desencontros ou porque, em determinado momento, outras coisas estavam em jogo para além da amizade pura, simples e verdadeiramente genuína. Há também amizades que acabam porque deixamos de as regar como as plantas. É precisamente por aí que vai o sentido deste meu arrazoado. Os dias de hoje são demasiados intensos. Temos sempre muitas coisas para fazer e muitos objectivos para alcançar. Lutamos por eles até à exaustão. Ainda não alcançámos um patamar e já nos estamos a preparar para alcançar outro! Temos que chegar longe e conquistar o que houver para conquistar. Temos que chegar na frente! Temos que chegar ao poder onde ele existir! Lutamos por isso todos os dias! A nossa sociedade é absolutamente competitiva. Competimos com tudo e com todos a toda a hora, nessa ânsia desmesurada de chegarmos a algum lado, sermos reconhecidos e, acima de tudo, termos poder! Sim, poder! Na governação de qualquer coisa nem que seja do quiosque da esquina, para podermos dizer que este é o nosso castelo e que aqui mandamos nós! E quanto maior for o reconhecimento e a evidência de bens materiais que podemos mostrar maior será o nosso grau de sucesso e o nosso posicionamento na hierarquia e nas escala dessas coisas todas que contribuem para o nosso êxito e afirmação social. Com maior ou menor exagero todos nos reconhecemos neste ambiente competitivo e desenfreado por onde o rio do nosso tempo nos leva sem nos darmos conta. Mas, se pararmos um pouco, pelo menos para nos perguntarmos para que queremos efectivamente alcançar tal nível de sucesso ou poder, podemos ficar momentaneamente baralhados. Naturalmente surgirão muitas dúvidas e muitas perguntas: somos felizes? Foi para isto que lutámos uma vida inteira? Este sucesso aparente e ilusório é gratificante em função do que tivemos que abdicar? Cada um responderá por si! E, provavelmente, muitos entenderão esta cogitação como absolutamente tola! Todos terão a sua razão ou as suas razões. Mas também há quem entenda que nada vale mais que uma amizade pura, verdadeira e genuína que atravessa connosco todos os vales da alegria, das privações e das dificuldades. Uma amizade é uma coisa extraordinariamente encantadora! É um bem maior! Alimenta-nos e faz de nós o que verdadeiramente somos. Às vezes, mesmo que não procuremos incessantemente os sucessos do nosso tempo, andamos demasiado entretidos com coisas que nos esgotam e que preenchem os nossos dias, deixando pouco espaço para regarmos as nossas amizades. Mas, ao invés de todas as prioridades é desse jardim que devemos cuidar, porque é desse jardim que exalamos o perfume da nossa verdadeira existência. Sem amigos não somos nada! Sem amizades que nos digam na cara que não estivemos bem não somos nada! Sem amizades que estejam sempre connosco nas horas boas e más não somos nada! E os outros, os nossos amigos, também não são nada sem nós! Vivemos todos desta cumplicidade e desta reciprocidade a tempo inteiro e sem esperarmos nada em troca! A amizade em si é um caminho de felicidade! Também por isso devemos cuidar mais desse caminho, retirando as pedras e os obstáculos que se enrolam nos nossos pés para podermos continuar em frente. Não há amizades perfeitas na medida em que ninguém é perfeito. Todos temos as nossas debilidades e também imensas virtudes. Por isso, em vez de hesitarmos naquele telefonema, naquele post, naquela mensagem e, fundamentalmente, naquele abraço, devemos ir em frente e recuperar o tempo perdido para ganharmos espaço à esperança e à amizade. Um dia, talvez seja demasiado tarde para dizermos o que nos vai na alma, para discutirmos com quem temos que discutir e, sobretudo, para abraçarmos todos os que devemos abraçar. A amizade não se regateia e não se coloca em linha de espera como se viessem dias melhores para baixarmos as nossas defesas e fazermos cedências ao lado mais poético da nossa existência. Não, nada disso! O nosso lado poético é a nossa existência! A felicidade é o caminho! E os nossos amigos são um dos nossos melhores tesouros! Cuidemos do nosso jardim porque se faz tarde!