Miércoles, 21 de agosto de 2019

ATREVE-TE!

“Tudo é ousado para quem nada se atreve”.  Fernando Pessoa

Nem sempre nos atrevemos! Nem sempre ousamos! Sonhamos muito e fazemos pouco! Não corremos atrás dos sonhos porque estamos muito agarrados às nossas margens de segurança. Queremos chegar mais além mas não ousamos. Temos medo! Não fazemos! Não nos atrevemos! Como nos disse o filósofo Soren Kierkegaard: “ousar é perder o equilíbrio momentaneamente. Não ousar é perder-se.” É por isso que nos sentimos perdidos! Passamos a vida a encontrar justificações para não fazermos isto e aquilo. Depois o tempo passa e dizemos, de forma tranquila, que agora já não podemos fazer porque o tempo de fazer já passou! Não! Há sempre tempo para tudo o que quisermos! Podemos e devemos sonhar com tudo o que desejarmos! Mas acima de tudo devemos fazer! Só temos que soltar as amarras da segurança aparente para podermos voar para o precipício onde tudo acontece e onde nos realizamos. Sim, às vezes é preciso uma certa dose de loucura para fazermos as coisas que nos enchem a alma. Ou talvez não possamos chamar loucura ao que nos move e à coragem de fazer. Não podemos viver felizes na completa linearidade. Temos que provocar desequilíbrios para realizarmos todos os sonhos que um dia ousamos sonhar. Temos direito a isso! Todos têm direito a isso! Temos que nos atrever mais! Temos que pretender chegar mais além do que a vista alcança. Temos que chegar até onde o nosso coração sente. A ousadia, como nos disse Schopenhauer, “poder ser, depois da prudência, uma condição especial da nossa felicidade.” Podemos ser muito prudentes e, em simultâneo, muito infelizes. Podemos ser ousados e mergulharmos nos mares de todas as felicidades. Podemos e devemos ser nós, libertos de amarras, de condições …e disto e daquilo! Fernando Pessoa dizia que “tudo é ousado para quem nada se atreve”. Concordo em absoluto! Não ousamos porque não nos atrevemos! Sonhamos mas não vamos à procura do sonho. Aceitamos tudo e não questionamos nada! Deixamos que o tempo nos faça um embrulho de todos os sonhos sonhados e não realizados. O pano da cortina do acto final vai caindo lentamente e nós assistimos, agarrados à segurança da nossa cadeira, ao espectáculo que vai acabando, minuto após minuto. Desejámos dizer bem alto - “bravo!” e batermos palmas como se houvesse amanhã sem seguirmos o movimento dos outros. Não fizemos porque parecia mal…e depois o que é que iam dizer de nós! Sim, importamo-nos muito com o que dizem de nós! Mas devíamo-nos importar mais como o que dizemos e, sobretudo, com o que não dizemos de nós! O sonho está aí no nosso regaço à espera que o acarinhemos e que façamos tudo por ele…para o concretizar. E fazer por ele e por todos os sonhos implica que cortemos a corda que nos liga a parte nenhuma. Sem arrogância ou sobrancerias devemos acreditar em nós e seguir viagem. Não conseguimos ver o que está para além da linha do horizonte porque o nevoeiro é denso, demasiado denso! Mas acreditamos que é lá que realizaremos o que tivemos a ousadia de sonhar. É também por isso que agora nos atrevemos!