Sábado, 22 de septiembre de 2018

Precisamos ter fé em nós!

Vivemos um tempo de fé e de aprofundamento espiritual. Na Quaresma a nossa atenção fica mais focada no nosso caminho interior. Neste tempo fazemos também a viagem pelas nossas estações e procuramos o sentido das coisas e, naturalmente, o da nossa caminhada! Mas, apesar do tempo que atravessamos (e que eu vivo com particular intensidade) quero partilhar convosco algumas palavras sobre a fé que devemos ter em nós. Se não tivermos fé em nós não podemos ter fé em algo que está acima de nós e que nos transcende. Não podemos ter fé em Deus se não acreditarmos em nós. A fé não se explica. Não precisa de validação científica. Também não precisamos de explicar a fé que devemos ter em nós. Devemos acreditar e confiar nas nossas capacidades e na nossa vontade em resolver os obstáculos que encontramos no caminho. E nessa grande demanda que empreendemos ao longo da nossa vida devemos acreditar em nós para podermos ter fé e aprofundarmos a nossa dimensão espiritual. Quando tudo parece correr mal e quando os problemas se cruzam connosco procuramos, quase sempre em desespero, encontrar soluções na fé para que algo de mágico ou transcendental aconteça. Às vezes acontece e outras vezes não acontece. As dificuldades que tantas vezes enfrentamos levam-nos a procurar dimensões de outros patamares que nos confortem e que nos ajudem nas horas mais duras, sobretudo quando as coisas terrenas nos falham. Um amigo ensinou-me que a vida não tem coisas boas nem más. Tem coisas das quais resultam consequências, boas e más. E em cada uma delas há uma lição para aprender. Ou seja, mesmo nas coisas que classificamos como más há sempre aspectos positivos a reter. Não podemos pensar neste ensinamento de modo directo e frio, principalmente quando nos deparamos com a morte de um ente querido ou com uma doença grave de um familiar ou de um amigo. Mas podemos e devemos olhar para esta perspectiva de vida como uma ponte para o desprendimento de tudo o que é supérfluo no sentido de nos concentramos no que é verdadeiramente importante e essencial. É aqui, também à luz desta perspectiva, que devemos ter fé em nós, reforçando a nossa auto-estima e valorizando a nossa capacidade de superar obstáculos. Neste sentido, refiro que sempre valorizei a imagem de um pássaro que repousa tranquilamente no ramo frágil de uma árvore sem temer que ele se parta, uma vez que a sua confiança não está depositada no ramo mas sim nas suas asas. E se em muitas circunstâncias da nossa vida acreditarmos mais nas nossas capacidades e tivermos confiança nas nossas asas e nas asas dos que connosco voam para todo o lado, seremos mais felizes e mais determinados no nosso propósito. A vida é sempre difícil para quem sonha. Mas uma vida sem sonhos é como um espaço vazio, sem interesse e sem entusiasmo. Por isso, se tivermos fé em nós podemos imaginar tudo o que quisermos e seguirmos viagem, confiando mais nas nossas asas do que no resto, para encontramos o tempo da realização dos nossos sonhos. Sabemos que entre o desejo e a realidade existe uma enorme distância. Mas, com fé em nós e nas nossas capacidades, devemos sempre tentar aproximar a realidade dos sonhos, encurtando distâncias e chamando a felicidade para junto de nós e dos nossos. Podemos não conseguir tudo o que desejamos mas morreremos felizes se tentarmos concretizar este grande desafio. A isso chama-se viver. E viver é também ter fé no que está, tantas vezes, para além da nossa compreensão e da força que nos rodeia e envolve. Só podemos deixar espaço e margem para a fé se, em primeiro lugar, acreditarmos em nós. Depois disso, a fé não tem limites e cada um de nós seguirá o seu caminho em conformidade com a sua consciência, convicção, valores, educação e tradição cultural. O tempo da viagem muda-nos! Durante o nosso percurso, repleto de altos e baixos, aproximamo-nos e distanciamo-nos, vezes sem conta, da nossa fé e da fé que depositamos no que está no alto. Nada é rectilíneo e constante como sabemos. Porém, apesar de todos os planos inclinados, ventos contrários e passadiços estreitos, o nosso desejo de seguirmos em frente prevalece sempre sobre todas as coisas. Sim, temos fé em nós e no que está para além da linha do horizonte e também lá no alto. Por isso, voamos sempre para o lugar de todos os sonhos onde o que desejamos acontece.