Às vezes sentamo-nos na soleira da porta a pensar na vida. No fio dos pensamentos surgem os problemas por resolver. Também revisitamos as coisas boas que nos aconteceram, guardando esperança no que ainda está por vir. Mas, na verdade, são os problemas que mais pesam — e os que mais ocupam a mente.
Damos voltas e voltas. Pedimos que isto e aquilo se resolva. Oramos. Pedimos ajuda às forças que nos rodeiam. Olhamos para o céu na esperança de que tudo se componha. Fazemo-lo tantas vezes que quase já não damos conta desse ritual.
Alguns problemas resolvem-se por si. Outros conseguimos resolver. E há aqueles que simplesmente não têm solução.
A soleira da porta é um lugar tranquilo e reconfortante. É de lá que partimos para o mundo e para onde regressamos. E é também ali que devemos alinhar o pensamento: fazer a nossa parte.
Fazer o que está ao nosso alcance já é muito. É nisso que devemos concentrar-nos. Ao cumprir o que nos cabe, caminhamos na direção certa e resolvemos o que é possível resolver.
O resto está fora do nosso controlo. Não temos domínio sobre essas coisas — e, por isso, nada podemos fazer em relação a elas.
Mas podemos sempre fazer a nossa parte.
Se nos focarmos nisso, deixamos de gastar energia com o que não depende de nós. E aquilo que nos cabe deve ser feito com o maior empenho possível.
Esse é o caminho: largar o peso desnecessário para tornar a travessia mais leve.
Fazer o que nos cabe. E seguir.