Todos precisamos de refúgio, resguardo e espaços seguros. Todos precisamos de uma caverna que nos abrigue das tempestades e nos proteja das agruras do tempo e das ameaças do mundo.
Recolhemos à nossa caverna — à nossa casa — para nos sentirmos seguros e confortáveis. É lá que damos expressão à nossa intimidade, livres das armaduras que usamos no dia a dia, nos campos de batalha onde enfrentamos o que temos de enfrentar.
No final de cada jornada, regressamos para descansar e curar as feridas dos embates da vida.
Mas, por vezes, demoramo-nos demasiado.
Vamos-nos acostumando à tranquilidade, à serenidade… e também à solidão. Como escreveu Paulo Coelho, “a solidão não é a ausência de companhia, mas o momento em que a nossa alma está livre para falar connosco.” E, de facto, a caverna pode ser esse espaço de escuta interior, de reencontro e de luz no meio da escuridão.
Mas o tempo passa.
A paixão pela quietude cresce. Saímos menos. Pensamos mais — ou talvez pensemos demais. E isso nem sempre nos faz bem.
Porque, apesar de tudo, precisamos de sair.
Precisamos de respirar, de nos cruzar com os outros, de falar, de viver. Afinal, como lembrava Aristóteles, “o homem é, por natureza, um animal social.”
Depois, sim, regressamos à nossa caverna — esse lugar de tranquilidade.
Mas não nos devemos deixar aprisionar nem seduzir pelo conforto permanente.
O caminho está no equilíbrio: nem sempre dentro, nem sempre fora. Tudo tem o seu tempo.
E encontrá-lo é uma forma de sabedoria que só nasce depois de muitas batalhas e muitas voltas do sol.