A vida segue com altos e baixos nesse caminho constante da aprendizagem. Só temos uma vida para viver. Mas por vezes pensamos que temos sete. Por isso, não nos concentramos no que nos devemos concentrar deixando que o tempo flua como um rio seguindo o seu percurso entre montanhas e vales. Acreditamos em demasia nas promessas que nos fazem, criando expectativas que conduzem à frustração, à dor e ao sofrimento. Tal como nos diz Fernanda Melo, não devemos querer promessas: “Promessas criam expectativas e expectativas borram maquiagens e comprimem estômagos. Não, não e não. Eu não quero dor. Eu não quero olhar no espelho e ver você escorrer, manchando minha cara bonita.” O nosso tempo é único. Deve ser celebrado todos os dias com a mesma leveza com que amanhecemos. Um dos grandes mestres da antiguidade clássica, Séneca, disse-nos que o “maior obstáculo da vida é a expectativa, que nos rouba o presente e nos promete o amanhã.” A expectativa é o caminho mais curto para a frustração. Entre uma coisa e outra amadurecemos. Com a idade, experiência e caminho andado vamos largando as expectativas, sobretudo as que depositamos nos outros, como quem larga roupas velhas. Ao invés, vamos abraçando o inesperado, permitindo que a vida nos surpreenda. Sem deixarmos de pensar no futuro vivemos mais no presente, neste tempo que é nosso por direito. A frustração diminui em proporcionalidade. O abraço ao inesperado ganha força, magia e luz. É a vida a acontecer sem exigirmos tanto dela. O futuro acontecerá no seu tempo. Agora é o presente que precisa de nós na exacta medida em que nós precisamos dele. É no agora que precisamos de abrir as janelas para deixarmos entrar a felicidade, baixando expectativas, exigindo menos, para termos tudo o que a vida nos quiser dar.