OPINIóN
Actualizado 02/11/2014
Miguel Nascimiento

CEREJAIS DA GARDUNHA Quem me visse por estas serras saboreando frutos que em cachos me oferecem a cada passo. E na calma dos pomares Cada sopro vegetal cheira a cerejas e a um doce destino. Acontece que por longínquas vias Uma carne tenra e sucu

A vida é feita de encontros e desencontros. Esta repleta de caminhos, cruzamentos e encruzilhadas. Tem momentos, partilhas, amizades e afectos. Os tempos da nossa passagem terrena são também espaços de descoberta, de emoções, de alegrias e tristezas. Uma das coisas fundamentais da vida é a valorização da amizade. Hoje quero dar-vos conta do trabalho de um amigo que muito admiro: o Alfredo Pérez Alencart. Conheço o Alfredo há muitos anos. Foi meu professor. Hoje é um amigo e um grande mestre da poesia! O Alfredo é um amigo, repito. Por isso, tudo o que a seguir escrever tem como pano de fundo esta minha confissão! Um amigo comum, o Pedro Salvado, contribuiu, de forma decisiva, para o meu reencontro com o Alfredo Alencart. Estou grato ao Pedro por isso e por muito mais. Há coisas na vida que não têm preço. A imagem do professor de direito do trabalho na Universidade de Salamanca deu lugar a uma metamorfose fantástica. O Alfredo Alencart que nasceu em 1962 em Puerto Maldonado, no Perú, é hoje conhecido e reconhecido nos quatros cantos do mundo como poeta e ensaísta. O Alfredo é peruano e espanhol. Mas é também um pouco nosso. Também é de Portugal! A palavra lavrada pela poesia e pela mão de Alfredo Pérez Alencart é uma sementeira que tem dado frutos extraordinários. O Alfredo tem sido incansável na promoção da poesia como espaço de afectos e de união de cultural. Portugal e os poetas portugueses devem-lhe muito. Mas, também de outras geografias para além das terras lusas. A vista de Alfredo Pérez Alencart abraça um triângulo constituído por Portugal, Espanha e a América-Latina. Mas o coração do poeta bate forte também noutras latitudes. A sua obra está traduzida em muitas línguas num largo espectro internacional. A sua palavra é profunda e toca fundo nos nossos corações. Inquieta-nos, obriga-nos a pensar, a amar e a vivenciar. António Salvado, outro grande poeta e amigo de Alfredo, disse a propósito da sua poesia que ela "legitima, pela palavra, a completa autentificação dos atributos, serenos ou estremecidos, que modelam e caracterizam o ser humano no seu trânsito terreno e, também, frente a Deus." Este poeta da Ibéria e do mundo é coordenador, desde 1998, dos "Encontros de Poetas Ibero-americanos" que, por sua vez, se constituíram como uma prestigiada plataforma de divulgação da poesia e dos poetas desta imensa e intensa geografia. O Alfredo Alencart tem um ritmo de trabalho frenético e estonteante. É um homem da comunicação. Pergunto-lhe muitas vezes como consegue produzir tanto e com tanta qualidade e como consegue estar sempre agitado e, ao mesmo tempo, transmitir uma imagem de paz e serenidade. Responde-me sempre com um sorriso e diz-me que a base de tudo é o amor e o apoio que sente da família. Outra amiga comum, Maria de Lurdes Gouveia Barata, escreveu no prólogo das "margens de um mundo ou mosaico lusitano" que é do amor que nascem as principais motivações do poeta e exemplifica com a expressão: «Já não olho a Raia: sinto-a». O poeta continua: "hoje escuto a outra língua, traduzo as suas ressonâncias, o quanto por fazer e aquelas tradições que se encerram à volta./Já não olho a Raia: sinto-a como cicatriz e caminho espaçoso onde repartir abraços ou procriar irmandades que se repercutam dentro do peito./ Em frente, pois, semeando querenças com a liturgia de mãos estendidas!/Em frente, pois, a dilatar o coração." Alfredo Alencart é um poço de afectos que revela, entre outros, um sentir profundo da terra portuguesa. Escreve e declama com o coração. Toca-nos a alma. Entra no nosso imaginário revelando as nossas coisas. Desperta-nos paixões e incentiva-nos a amar o chão que é nosso! A sua poesia desliza suavemente por pessoas e lugares da nossa Beira e da nossa lusitânia. A poesia de Alfredo Alencart abraça-nos com amor e leva pedaços da nossa vida espalhando-os ao vento para que todos possam admirar as coisas simples e belas deste país do sol e dos poetas! Alfredo peço desculpa ao Perú e a Espanha para também dizer que és nosso, de Portugal!

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