Viernes, 20 de julio de 2018

Foge da manada!

Os animais seguem em manada. Se um começa a correr os outros seguem-no. Ficar para trás está fora da equação. Pode ser perigoso. Há sempre um predador à espreita. Os que ficam para trás tornam-se vulneráveis. A manada que corre tem peso e força. Faz tremer o chão e afasta os predadores. No contexto da manada e afins recordo um conhecido provérbio africano: “a união do rebanho obriga o leão a ir dormir com fome.”

No reino animal a manada funciona como reforço do instinto de defesa, transformando-se, sempre que necessário, numa capa protectora que defende o grupo. Mas o comportamento de manada também se pode aplicar à nossa humana dimensão.

O grupo também nos protege de muitos perigos. E nós temos uma tendência natural para seguirmos os outros. Seguimos os outros, mergulhamos no efeito de manada, sem pararmos para pensar no que estamos a fazer. Seguimos os outros e pronto. Sentimo-nos bem a fazer o mesmo que os outros. Não desalinhamos. Seguimos o ritmo dos outros. Vamos por onde eles vão e fazemos o que eles fazem. Sentimo-nos seguros e protegidos seguindo a corrente. Mas anulamo-nos!

Não estimulamos as nossas capacidades porque temos medo de contrariar a corrente. Temos medo que os outros nos cataloguem como diferentes. Temos muito medo que os outros nos expulsem do grupo! Estamos melhor assim, seguros e metidos no meio da manada! Para isso anulamos a nossa individualidade. Não lhe abrimos as portas. Não a deixamos voar.

Óscar Wilde pedia-nos para sermos nós “porque os outros já existiam”. Os que seguem a manada nunca querem ser eles; têm medo da sua própria individualidade. Misturam-se na existência dos outros. Rejeitam o pensamento, a contestação e a insegurança do atrevimento. Seguem na manada e pronto!

E a manada cresce todos os dias porque a sua segurança atrai e agrega. Ser diferente dá muito trabalho. Traz aborrecimentos. O grupo vai correndo e engrossando fileiras à custa de mentes vazias e de gente que não se preocupa com nada nem pergunta por nada, nem sequer para onde vai a manada! Apenas a segue sem pestanejar! Mas neste tempo de manadas para todos os gostos precisamos de gente com coragem para fugir delas e para promover a individualidade.

Precisamos de ir à nossa procura porque os outros já existem e seguem todos na manada. Precisamos de luz para o caminho. E de ventos de pensamento forte que a dispersem! A uniformização das coisas cega-nos. Anula-nos como seres humanos. Convoca-nos para uma embriaguez constante que vê tudo de forma destorcida. A realidade e a vida passam-nos ao lado porque não libertamos a nossa individualidade.

Deixámos de ser nós para sermos como os outros, apenas para termos menos trabalho e menos preocupações. A vida é um caminho difícil onde se resolvem problemas. Esse é o seu fardo e também a sua magia encantadora.

É por ela que devemos suspirar. É por ela que devemos correr e fugir da manada. É nesse instinto de fuga que devemos apostar. Não numa fuga sem direcção. Mas numa fuga que nos liberte da canga de sermos apenas mais um no meio da multidão. E devemos fazer isso não por causa de protagonismos que se dispensam. Mas para sermos nós, únicos, exclusivos e, sobretudo, livres e felizes!

Por isso, foge da manada!