Martes, 24 de abril de 2018

O tempo da passagem.

Para a maioria de nós a Páscoa é um tempo de pausa, de paragem e de reencontros. Quebramos as rotinas e mergulhamos no merecido descanso. Vamos para longe ou ficamos perto. Partimos ou não saímos do mesmo lugar. Em cada geografia vamos à procura dos nossos, dos amigos ou da família. Também podemos desejar estar a sós, apenas na nossa companhia. O tempo da Páscoa sopra-nos um vento doce e apaziguador. Diz-nos para pararmos um pouco. Para descansarmos das correrias de todos os dias. Este tempo convoca-nos para as coisas que nos dão prazer, para o caminhar devagar e para observarmos as coisas que se encontram à nossa volta com outro cuidado, outra atenção. Neste intervalo do tempo procuramos encontrar a felicidade que os foge nos dias em que andamos agitados. Esta pausa, estas miniférias, surgem como bálsamo retemperador de todas as “maleitas”. Precisamos desta folga do tempo para recuperarmos das feridas, para fugirmos das rotinas e encontramos tempo para nós. Neste período curto mas intenso procuramos o que não temos e tentamos arrancar os sorrisos que nos faltam quando corremos de um lado para outro no espaço de todas as preocupações e problemas. Todos precisam de uma pausa. Todos merecem uma pausa! Aproveitemo-la enquanto podemos porque o tempo também avança mesmo nas pausas! Devemos aproveitar o tempo para estimularmos o caminho dos afectos, do amor, da paz e da tranquilidade. Abracemos que temos que abraçar e beijemos quem temos que beijar. Aproveitemos para nos rirmos de nós e com os outros. Maximizemos a alegria e todas as coisas simples e boas que a vida nos dá. A Páscoa coincide com a Primavera. Depois do longo inverno, o sol começa a despontar aqui e a ali. A natureza renasce do tempo de reclusão. Sentimos o chilrear dos pássaros e também percebemos há qualquer coisa que desperta em nós! Por isso, também devemos aproveitar esta pausa para nos renovarmos nos nossos propósitos e caminhos ou para, em verdadeira consciência, reafirmarmos as veredas de sempre! Este tempo também convida à reflexão, ao diálogo connosco. Convoca-nos para a nossa dimensão espiritual e estimula-nos a todas as viagens da nossa interioridade. Não devemos fechar a porta a essa caminho. Apesar de todas as inquietações que as reflexões sempre nos trazem, também nos devolvem a paz que às vezes nos falta! A Páscoa é um momento de grande religiosidade, um espaço de purificação e uma geografia de muitos sentires. É um tempo novo, de renovação e de limpeza da nossa alma. Este tempo tem um significado profundo, uma história para recontar e uma via-sacra para seguir. O sangue e o sofrimento estão presentes. O caminho do calvário é hoje uma reencarnação de todas as dificuldades. Por isso, saibamos promover o equilíbrio entre a felicidade que desejamos, o merecido descanso, a pausa de todas as emoções, e a absoluta necessidade de olharmos para todos os que estão à nossa volta e que precisam de pão ou de afecto. Nesta pausa, neste momento de transformação e de passagem, devemos libertar-nos do peso que trazemos para nos dedicarmos mais a nós e aos outros, num verdadeiro acto de amor, de paz e fraternidade. Na terça-feira, depois das tradições cumpridas, continuaremos a correr como se não houvesse amanhã. Ficaremos ansiosamente à espera do verão e das férias maiores que nos permitam novo descanso. Nessa altura a Páscoa e a passagem simbólica que nos anuncia terão ficado para trás. A roda do tempo continuará a andar. Outro ciclo chegará. Nova Páscoa, novos ciclos e outras pausas. Por isso, é muito importante que cada tempo seja vivido no momento próprio e com toda a intensidade. É também por isso que devemos aproveitar a passagem que a Páscoa nos abre para nos reencontramos connosco e, sobretudo, para sermos felizes!