Domingo, 22 de octubre de 2017

Insistir ou desistir?

No caminho da nossa vida e perante determinados patamares de dificuldade devemos insistir ou desistir para seguirmos em frente e sermos mais felizes? Não sei! Julgo que ninguém sabe! Para muitos só importa o caminho da persistência e da resiliência onde é preciso insistir e nunca desistir. É uma grande atitude! Vamos à procura da realização dos nossos sonhos. Vamos à procura da concretização dos nossos objectivos. E quando não conseguimos o que queremos voltamos a insistir, uma e outra vez, as vezes que forem necessárias, até alcançarmos o que nos faz correr numa determinada direcção. Quem assim pensa e faz nunca atira a toalha ao chão. Está sempre disponível para ir à luta mesmo que nunca consiga vencer uma única batalha. Gosto desta atitude. Sempre gostei! É uma atitude de coragem que provoca movimento e combate. E isso é bom. Das águas paradas não sai peixe fresco! Entretanto, outros desistem à primeira contrariedade. Baixam os braços. Não vão a luta. Não vão à procura da realização dos seus sonhos. Quando não conseguem o que querem sentem que não vale a pena continuar. Desistem. Deixam de lutar. Atiram a toalha ao chão. Ficam por ali, num canto qualquer, a lamentar a sua sorte. Estes não conseguem nada. Não alcançam nada. Gosto menos desta atitude mas respeito-a. E percebo-a melhor agora, depois de algum caminho andado. Mas, voltando aos primeiros, aos que nunca desistem, sabemos que também podem não alcançar nada apesar de todo o esforço e determinação que colocam na sua demanda. Então, em que ficamos? Perante as dificuldades devemos insistir ou desistir? Se os resultados são, por vezes, os mesmos mais vale, talvez, ficarmos pelo caminho e canalizarmos as nossas energias para coisas mais leves do que nos gastarmos e desgastarmos em batalhas perdidas e sonhos irrealizáveis? Também não sei. Julgo que ninguém sabe! Mas talvez possamos encontrar um caminho mais equilibrado onde não devemos desistir facilmente dos nossos objectivos como também não devemos insistir para sempre em veredas que não levam a lado nenhum, apesar do nosso esforço e determinação! Talvez seja por aí. Talvez. As pessoas persistentes não equacionam a desistência. Traçam o percurso e seguem em frente. Não têm medo de enfrentarem todas as consequências mesmo que nada resulte. Mas, por vezes, se deixarmos de insistir podemos estar a assumir uma atitude razoável. Se, por exemplo, multiplicarmos um milhão de vezes por zero o resultado será igual a zero. Nesse sentido talvez seja inteligente não colocarmos a nossa intensidade e esforço onde não há nada. Sem desistirmos das coisas podemos deixar de insistir tanto. Cada coisa acontece no tempo certo. E às vezes é preciso deixar fluir o cosmos. E se assim fizermos diminuímos a nossa velocidade, relaxamos mais e não apressamos nada. As coisas acontecerão não na nossa exacta medida mas na forma como têm que acontecer. Não vale a pena insistir demasiado nem apressar nada. Mas também não devemos desistir de nada! Apenas devemos olhar para o horizonte e escutar o nosso coração para encontrarmos um ponto de equilíbrio. Um caminho do meio onde, num certo tempo, tudo acontecerá. Quando deixamos de insistir tanto e com tanta determinação abrimos espaço para a paciência e para a sabedoria. Se assim fizermos o nosso caminho enche-se de luz. A partir daí podemos ver melhor as coisas. Sem pressa. Sem insistência. Mas também sem desistirmos de nada! Apesar de tudo o caminho continuará repleto de obstáculos. Mas, como seguimos mais devagar temos mais tempo e capacidade para os contornar. E ao diminuirmos a velocidade podemos melhorar a qualidade dos resultados. E se nada resultar podemos sempre desistir. Não no sentido de ficarmos ali parados a um canto a contemplar a toalha que entretanto atirámos ao chão; não, nada disso! Significa que não nos importamos com o sítio onde parámos a nossa difícil jornada e que, acima de tudo, estamos agora mais preparados para um recomeço e para continuarmos o caminho. Mas, apesar de todas estas possibilidades, também não sei se é por aqui que devemos seguir! Julgo que ninguém sabe! É o caminho que nos põe à prova e cada um de nós deve apenas seguir o seu coração para definir as suas escolhas e encontrar a felicidade.