Jueves, 23 de noviembre de 2017

Os cavalos brancos também voam!

 

 

Desde tempos ancestrais que se contam histórias sobre a gestão das preocupações que, tantas vezes, nos tolhem os movimentos e não nos deixam progredir no caminho da vida. Sobre esta questão já se escreveram rios de tinta e também já se contaram muitas histórias. Com frequência uma história é contada vezes sem conta, com alterações de pormenores, mais ou menos ilustrada, mas, no fundo, é sempre a mesma, passando de gerações em gerações. Mas, neste caso, o que verdadeiramente interessa é a sua essência e as lições que dela podemos extrair. Por isso, dou-vos conta de uma história de esperança e de gestão de tempo, preocupações e expectativas de vida, contada pelo grande Paulo Coelho:

um velho rei da Índia condenou um homem à forca.

Assim que terminou o julgamento, o condenado pediu:

“Vossa Majestade é um homem sábio, e curioso com tudo que os seus súbditos conseguem fazer. Respeita os gurus, os sábios, os encantadores de serpentes, os faquires. Pois bem: quando eu era criança, meu avô me transmitiu a técnica de fazer um cavalo branco voar. Não existe mais ninguém neste reino que saiba isto, de modo que minha vida deve ser poupada”.

O rei imediatamente mandou trazer um cavalo branco.

“Preciso ficar dois anos com este animal”, disse o condenado.

“Você terá mais dois anos”, respondeu o rei, a esta altura meio desconfiado. “Mas se este cavalo não aprender a voar, será enforcado”.

O homem saiu dali com o cavalo, feliz da vida. Ao chegar em casa, encontrou toda a sua família em prantos.

“Você está louco?”- gritavam todos. “Desde quando alguém desta casa sabe como fazer um cavalo voar?”

“Não se preocupem, porque a preocupação nunca ajudou ninguém a resolver seus problemas”, respondeu ele. “E eu não tenho nada a perder, será que vocês não entendem? Primeiro nunca alguém tentou ensinar um cavalo a voar, e pode ser que ele aprenda. Segundo, o rei está muito velho, e pode morrer nestes dois anos. Terceiro, o animal também pode morrer, e eu conseguirei mais dois anos para treinar um novo cavalo. Isso sem contar a possibilidade de revoluções, golpes de estado, amnistias gerais. Finalmente, se tudo continuar como está, eu ganhei dois anos de vida, onde posso fazer tudo o que tenho vontade: vocês acham pouco?”

Podemos olhar para esta história e encontrar tantas outras histórias no caminho. Às vezes pensamos que não há saída para um obstáculo difícil e que a esperança nos abandonou. Noutras pensamos que o inevitável fará o seu percurso, cortando a direito, com todas as suas consequências. Outras vezes, desejaríamos ter asas para voarmos para fora de situações de aperto e repletas de nuvens negras. É tudo uma questão de perspectiva e também de esperança. Temos todos que aprender a ensinar cavalos brancos a voar para ganharmos tempo e saborearmos a vida que passa. Cada instante deve ser aproveitado como se fosse o último. E cada dificuldade deve ser convertida em oportunidade para mudarmos o que for necessário, para seguirmos em frente e, se pudermos, ainda mais felizes. Tudo tem uma solução, mesmo que ela não se apresente diante de nós à vista desarmada. A imaginação deve sempre alimentar a esperança que, por sua vez, encontra na criatividade um aliado poderoso. Quando não há pontes para atravessar o rio temos que as construir. Quando não existem portas que nos levem a uma saída temos que desenhar uma, mesmo que para isso precisemos de algum tempo para ensinarmos cavalos brancos a voar. Por vezes o impossível acontece porque soubemos acreditar em nós, na nossa capacidade e na esperança de chegarmos, com alegria, a fim da viagem. Esta história muito antiga, contada pelas palavras de Paulo Coelho, é mais uma manta que se tece na esperança que todos os dias nos deve embrulhar apesar das circunstâncias do momento. E só a largamos se nos lançarmos ao vento nas asas de um cavalo branco que voa para todas as geografias da felicidade. Leiam esta história porque vale a pena, digo eu. Sobretudo em momentos mais difíceis da vossa vida ou quando confrontados com obstáculos aparentemente intransponíveis. Entretanto, vão ensinando cavalos brancos a voar. Um dia precisarão de voar com eles para os lugares onde todos os sonhos são possíveis!