Lunes, 11 de diciembre de 2017

Celebrar a Terra-Mãe

Esta semana celebramos o equinócio da Primavera. Inicia-se um novo ciclo. E com ele um tempo novo de redescoberta e renovação. Este é o tempo das flores e dos seus perfumes. É o tempo de todas as metamorfoses e do esplendor da natureza. Por isso, temos que saber viver a Primavera e interpretá-la com maior profundidade para deixarmos que os seus sons, as cores e os odores penetrem fundo no nosso coração e na nossa alma. Precisamos muito disso. Precisamos dessa renovação e abrir as portas à natureza para que ela faça o trabalho que sempre fez. Por estes dias devemos celebrar a “Terra Mãe” caminhando a seu lado para nos metamorfosearmos em nós e ganharmos as asas que sonhámos ao longo de muitos Invernos tristes e cinzentos. E se nos deixarmos embalar na brisa da Primavera podemos deixar para trás as velhas e gastas roupagens que já só nos pesam no caminho. Temos que deixar ir para deixarmos entrar o novo e a esperança de dias de cor e de aventura. Este é o aequinoctium, o tempo em que o dia é igual à noite. É o tempo em que os contrastes e os opostos estão em igualdade. É aqui que as diferenças na igualdade nos permitem viajar por todas as geografias e latitudes para também percebermos a extraordinária lição que a natureza sempre nos dá. A diferença precisa de ser amada na igualdade. E é precisamente o amor que devemos lançar à terra, depositando nela as sementes da liberdade e da esperança em dias mais leves e felizes. Se conseguirmos abrir o nosso coração e acompanharmos a natureza neste seu processo intrínseco de renovação podemos beber da sua sabedoria e, com ela, simplificarmos o nosso caminho. Este é o tempo do despertar. Tal como a natureza também precisamos do nosso despertar. O sono invernal foi longo. Mas tudo tem um começo e um fim. Este é o fim desse sono e o despertar de um tempo novo. Este é também o tempo do nosso renascimento. Devemos deixar que a nossa espontaneidade regresse à tona e para seguir o seu caminho livre. Sem as amarras do costume. Sem as roupas velhas que nos pesam. A Primavera é o perfume da liberdade mas também da responsabilidade. Cuidemos de nós para que possamos dar-nos aos outros por inteiro. Mas só nos podemos dar a quem nos quer receber. Neste tempo em que o dia é igual à noite há espaço para todos os encantos. Mas os afectos gostam sempre de reciprocidade. É preciso dar para receber. Apesar de tudo é preciso sabermos dar sem fronteiras e sem esperarmos a reciprocidade que sempre se reclamamos. O caminho segue com a luz do sol e da lua e com o horizonte de equilíbrio momentâneo que surge no horizonte. Há um tempo igual. Um tempo de equilíbrio. Aproveitemos este momento para vivenciarmos a nossa Primavera interior e o seu perfume do lado de dentro. Sim, aquele que ninguém cheira mas que tem o odor mais intenso. É o odor da nossa espiritualidade mais íntima e mais pura. Essa Primavera também precisa da sua metamorfose. Deixemo-la respirar. Deixemo-la entrar e sair as vezes que entender para se libertar de tudo o que se deve libertar para se renovar para fortalecer. Este é o tempo de abraçarmos a terra-mãe e de desnudarmos com ela para vivermos a plenitude do espaço e do tempo. O sol virá em nosso auxílio para nos iluminar o caminho. E mesmo na escuridão da noite que será de tempo igual ao dia, a lua não deixará de cumprir o seu papel lançando também ela luz sobre a estrada que, com encanto, ousamos percorrer.