Jueves, 17 de agosto de 2017

Renascer

“Ninguém sabe se tudo apenas vive para morrer ou se morre para renascer.”

Marguerite Yourcenar

Às vezes perdemo-nos no caminho. Mas reencontramo-nos. Morremos nele para depois renascermos. A nossa vida é uma primavera constante. Estamos em permanente metamorfose. Renovamo-nos a cada momento, a cada ciclo. Um dia acordamos com um sabor amargo na alma. Mas, talvez nesse mesmo dia nos possamos deitar com toda a doçura dos afectos e acordar de novo com a esperança renovada. A vida é incerta. O caminho também. Como dizia Marguerite Yourcenar “ninguém sabe se tudo apenas vive para morrer ou se morre para renascer.” Sim, ninguém sabe. Temos poucas certezas. Mas temos dúvidas, muitas dúvidas. Precisamos de renascer todos os dias para deixarmos para trás aquilo que já não nos serve para a jornada da felicidade que estamos a empreender. Sim, a vida é o caminho da felicidade mesmo que ela, permanentemente, nos fustigue com coisas más. A viagem não pode parar até chegarmos ao destino. E o destino não é o maior encanto mas sim todo o percurso que temos vindo a trilhar. A alegria da viagem deve contagiar-nos todos os dias. Por vezes os dias são demasiado duros. São aterradores. Julgamos que já não conseguimos mais. Caímos ao chão, prostrados, sem forças, sem energia. Morremos. Sim, morremos tantas vezes ao longo da nossa vida. Mas, apesar de todas as contrariedades que nos põem à prova devemos sempre olhar para a vida com um sorriso nos lábios e colocar sempre a esperança no nosso alforge. Como disse Florbela Espanca, “há uma primavera em cada vida: é preciso cantá-la assim florida, pois se Deus nos deu voz, foi para cantar! E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada que seja a minha noite uma alvorada, que me saiba perder…para me encontrar.” Sim, devemos cantar a vida e saborear cada minuto. Vale a pena senti-la e vivê-la como se não houvesse amanhã. E se agarrarmos a vida com a intensidade que devemos agarrar podemos magoar-nos. Podemos cair. Podemos morrer para muitas coisas e momentos. É nesses instantes que a vida nos agarra e nos obriga ao reencontro e ao renascimento. Renascer é uma coisa extraordinária! Somos sempre nós, mas com roupagens diferentes. Renovamo-nos e fortalecemo-nos em cada ciclo e em cada primavera que nos atravessa. Não deixamos de acumular experiência e sabedoria. Mas o verdadeiro segredo está em não deixarmos que se acumule o ressentimento e as imagens das coisas menos boas que aconteceram ao longo do caminho. Precisamos de libertar todas as amarras para nos sentirmos verdadeiramente livres e para nos continuarmos a renovar. Só assim podemos crescer no caminho! Tudo o que nos fez mal, tudo o que nos causou dor e sofrimento faz parte de nós. Está entranhado na nossa pele e muitas vezes guardado no fundo da nossa alma. Nós somos a junção do bem e do mal da nossa viagem. Mas se nos deixarmos renovar, se renascermos e se deixarmos a vida fluir no seu tempo próprio julgo que a energia da felicidade virá ao nosso encontro. Não precisamos de a procurar. Ela renascerá connosco! Depois precisaremos apenas de cantar todos os dias até que a voz nos doa!