Lunes, 11 de diciembre de 2017

Coisas do Tempo

 

 

 

 

 

 

 

Há dias conversava com um amigo sobre a importância do tempo. Os anos vão passando e há sempre coisas que desejamos fazer e por uma razão ou por outra não as conseguimos concretizar. Mas o tempo é implacável. O tempo passa. Vamos ficando mais velhos, com menos energia, e como menos capacidade para fazer certas coisas. Mas, por outro lado, ganhamos experiência e sobretudo mais sabedoria na medida em que vida é uma grande escola e uma grande plataforma de aprendizagem. Nessa conversa com o meu amigo não chegámos a uma conclusão muito segura ou definitiva sobre o tempo. Agendámos mais conversas para continuarmos a reflexão. A amizade também é isto! Entretanto, entendemo-nos, de imediato, sobre a necessidade de aproveitarmos a vida todos os dias, celebrando cada momento e vivendo com intensidade todas as etapas do caminho. Sim, a vida é uma grande caminhada! E à medida que vamos percorrendo a caminho os nossos passos tornam-se diferentes e a nossa forma de caminhar passa por uma metamorfose extraordinária! O tempo tem uma importância fundamental na viagem. Aliás, esta ideia foi reforçada na palavra de Franz Kafka: “o tempo é o teu capital; tens de o saber utilizar. Perder tempo é estragar a vida”. Neste sentido, uma das questões mais pertinentes sobre esta matéria decorre precisamente desta base: será que sabemos utilizar o nosso tempo? Todos sabemos que o caminho tem a exacta distância entre o dia do nosso nascimento e o dia da nossa morte. Apenas não sabemos quanto tempo demora a percorrer. Todos esperamos que a caminhada seja longa e feliz! Mas, também sabemos que não dominamos muitas das variáveis que se cruzam à nossa frente. Por isso, só nos resta aproveitarmos a beleza da caminhada procurando utilizar da melhor forma possível o tempo que está à nossa disposição. O trajecto não é linear e tem pedras, muitas pedras! Tem altos e baixos, alegrias e tristezas! À medida que avançamos no caminho vamos ficando mais velhos e com uma tendência enorme para olharmos para trás. Dizemos, muitas vezes, gostaria de ter feito isto e aquilo e não consegui ou hoje teria feito as coisas de outra maneira; ou ainda, gostava de ter dito esta ou aquela frase que não disse e agora já não é possível porque o tempo passou. Não raras vezes a frustração e o desânimo tomam conta de nós. Ficamos tristes. O tempo passou e já não volta. O tempo fugiu de nós como os grãos de areia nos escapam das mãos quase sem darmos conta. Fazem sentido, mais do que nunca, as palavras do Padre António Vieira sobre esta questão, também objecto dos seus “sermões”: “não há poder maior no mundo que o do tempo: tudo sujeita, tudo muda, tudo acaba”. Neste sentido, o tempo pode ser cruel, traiçoeiro e perigoso, fundamentalmente se não o soubermos gerir. Não podemos ficar a olhar para trás, para o que devíamos ter dito e não dissemos, para o que fizemos ou não fizemos! Cada etapa do caminho tem o seu tempo. Por isso, devemos viver cada momento como se não houvesse amanhã; com intensidade, colocando tudo de nós em cada coisa que fizermos! Se assim procedermos vamos errar e acertar muitas vezes. Vamos cair para depois nos levantarmos, também muitas vezes! Mas, certamente, não ficaremos a pensar no que devíamos ter feito e não fizemos ou no que devíamos ter dito e não dissemos! O tempo é nosso! Devemos ser donos do nosso destino! Não controlamos todas as variáveis que se atravessam em cada etapa do caminho. Mas, podemos controlar a atitude, o ritmo, a intensidade e a emoção da caminhada. Devemos deitar fora o que não deve ficar connosco. Às vezes é preciso aliviar a carga. Não devemos perder tempo com futilidades e com questões de menor importância. Devemos concentrar a nossa energia em todas as coisas que fazem sentido na nossa vida, definindo prioridades e depositar nelas a nossa alma toda. No fim da caminhada teremos cicatrizes, marcas evidentes das dificuldades do percurso e sinais das debilidades provocadas por todas as atribulações da jornada. Mas, no fim do caminho teremos a alma cheia e a memória das coisas boas da vida, em particular do amor que conseguimos dar e daquele que recebemos. Nesse momento a alegria tomará conta do nosso coração, inundando-o com um enorme tranquilidade. Sim, não tivemos medo de falhar. Não tivemos medo de errar. Não tivemos medo de caminhar! A felicidade também passa pelo que fazemos do nosso tempo. E há sempre tempo para recomeçar e voltar a caminhar apesar de todos os nossos erros e indecisões. O tempo é o nosso! Nunca nos podemos esquecer de o utilizar!